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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Poema: "Acervo", de Erivelto Reis

 Acervo

Erivelto Reis

Guarde esse ano - quase acabando -
Na estante boa das memórias e das saudades.
Mas pode ser que...
Seja preciso guardar alguma coisa
No baú das lições e das tristezas
Uma apostilada caixa de pandora
De vidro transparente
Com as luzes de alerta sempre acesas...

Reserve espaço na estante do novo ano
Para a felicidade do que você produziu:
Guarde o amor que amadurece
a amizade que floresce
a conquista celebrada
os desafios vencidos
a admiração conquistada.

Celebre a saúde, o amor de sua família
O seu mérito nem sempre notado.
Livre-se de bajuladores, odiadores
Dos que romantizam dores.
Desconstrua o que for preciso
Para se livrar de preconceitos
Para não causar dor, sofrimento e prejuízos...

Promova a aproximação
Entre sua sensibilidade e toda forma de arte
Aprenda com bons livros, filmes e exemplos...
Se afaste de deuses infláveis
Comandados por homens frustrados e irritantes...
Guarde a bondade como uma chama,
Uma melodia divina...
Nada de exagerar nos vícios e nas virtudes;

Não é o lugar, é a experiência.
Não aceite que não paguem o que você merece.
E isso não é apenas sobre grana...
É sobre não tolerar formas
Muito ou nada sutis de ofensa...
Pratique o autocuidado, eleve seu amor próprio.
A sua autoconfiança...

O ano novo promete
É a esperança que nos irmana.
Se errou, se desculpe...
Foi perdoado, não vacile...

Monte o seu acervo.
A sua história merece...
De estante em estante
Cada ano que passa
Ajuda a compor a biblioteca de sua vida
Virtual, física, emocional, em PDF...
De instante em instante.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Poema: "Repensar o Natal", de Erivelto Reis


Repensar o Natal

Erivelto Reis

Não seria nada mal
Olhar sem pressa pro Natal...
Olhar bem direitinho!
De uma maneira menos óbvia, pouco trivial.
Para além do senso comum
E dos discursos de consumo e submissão...
Não seria nada mal
Olhar de outra maneira
Pros festejos de Natal:
Enxergando a festa na alma,
Não sob os embrulhos
Ou no empratamento da ceia...
Dando ao Natal novas luzes
Novos ornamentos.
E nada de moralismos toscos
E nada de cara feia...
Não seria nada mal
Que houvesse solidariedade
Para que o Natal
Fosse afinal a partilha
Da igualdade, da equidade e da fraternidade
E não gente má fazendo de conta...
E que os amigos nada ocultos se abraçassem
Com admiração anárquica
De uma família anti-hierárquica,
Que está próxima porque ama estar unida.
Não seria nada mal
Entendermos que o Natal
Não volta, ele se renova
Mas não se repete...
Os que amamos
Um dia faltarão em nosso entorno
E o Natal vai ficando doído,
Distante e morno...
Sem o sentido de reviver e honrar
Os semblantes em recordação
E o exemplo cristão em permanente celebração,
Com os que ao nosso lado estão.
Não seria nada mal,
Repensar a ideia de Natal
Que não passe por diálogo, acolhimento
E respeito às diferenças.
Um Natal em que na manhã do vinte e cinco
Acordássemos crianças de alma:
– mais amados, mais amigos, mais gente!
E com o ânimo para um novo milagre
Que se materializasse num melhor presente...