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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Poema: "Hipocrisol", de Erivelto Reis

Hipocrisol

Erivelto Reis

 

É pior do que terçol

É pior que não ter sol...

Uma injustiça programada

Uma sacaneada em doses,

Uma puxada de tapete

Administrada em drágeas.

 

Com o patrocínio de hipocrisol

O sujeito que não se sujeita

Vai ficando mais comprimido.

 

Hipocrisol

Disfarça incompetência

Serve como laxante

Para as cagadas constantes.

 

Hipocrisol:

Não é cura, faz ferida

Ele é a doença.

Hipocrisol

É bem mais comum do que se pensa...

 

Hispocrisol

É pior do que terçol

Enxaguante de besteirol

Blá, blá, blá violento

Funciona como um unguento

Que deixa em carne viva...

 

Inibidor de apetite

Gatilho para gastrite...

Um monte de gente

Com discurso combinadinho

Tomando hipocrisol no copinho

Como whey de proteína...

E ainda há quem acredite.

 

Hipocrisol não é colírio

Tem venda sem prescrição

Amostra grátis o tempo todo

Servindo de explicação.

 

Hipocrisol

É pior do que terçol.

Hipocrisol

Adstringente da razão

Abafador de clima

Para impedir que os de baixo

Critiquem os que estão em cima.

Hipocrisol

É placebo!

Mas tem gente que acredita.

 

 

 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Poema: "Anamnese", de Erivelto Reis

 Anamnese

Erivelto Reis

Não é tumor, é só cansaço.
Um asco contra o despropósito.
Não é tumor, é só cansaço.
A coragem de não ser o próximo.
Os cães ladrando,
Os cavalos pastam desprezo
Nenhuma consideração ou apreço.
A omissão, a falta de ajuda...
A covardia se fazendo
De astuta...
É gente que não quer ler,
É gente que não quer pensar...
Não é tumor, é só cansaço.
Não é tumor, nem mau humor...
Talvez Burnout,
Mas mais cansaço.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Poema: "O chão da escola", de Erivelto Reis

O chão da escola

Erivelto Reis

 

Há uma poça de lama no chão da escola

No bairro da escola, na rua da escola

Há uma poça de lágrima

Que escorre no chão da escola

Há uma poça de suor e sangue

No chão da escola

Um livro uma professora um servente

Desprezados no chão da escola

Só os discursos sobre o chão da escola

Parecem edificantes

Ficções para principiantes

Um chão por onde já poucos caminham

Do qual muitos se desviam...

Uma trincheira – última linha antes da barbárie

A chave do cofre está nas mãos

Dos que ainda resistem no chão da escola

Depois, arrombada e saqueada,

Privatizada a educação

– o per capta do governo

Pago aos abutres e lemans que estiverem em cena

Vai se maior que o pib das grandes potências

E a escola vai ter franquias e filiais como bobs e habibs

E vai vender minguados créditos aos filhos dos trabalhadores

como quem carrega um pré-pago, um oi ou um tim talvez, claro...

Pra o aluno pobre matriculado aprender quanto puder

No tempo que lhe for destinado.

Ou haverá plataformas e aplicativos com algoritmos viciados

Como uma bet pra perder o futuro de vez.

Uma fábrica de operários mudos e obedientes

E mal remunerados.

Há muito lodo no chão da escola

Um escândalo que, se revelado,

Faria ver a todos o quanto de posse há sobre o chão da escola

De concreto só os decretos e os pontos estratégicos

Dos prédios que interessam aos investidores

E o que eles significam em lucro, propaganda e controle.

Um chão de deixar doente, um chão úmido,

Do qual já não parecem germinar as boas sementes.

Há um chão da escola, viciado em desmantelar gente.

Há um chão da escola diferente...

Há um caixão da escola!

Há ainda alguns poucos indignados...

Resistindo, lutando... re-velando.

E um montão de gente indiferente.

 

Onde é que fica o chão da escola?

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Crônica: "Ötzi, o Homem degelo", de Erivelto Reis

Ötzi, o Homem degelo

Erivelto Reis

Os cientistas descobriram que Ötzi viveu há mais de cinco mil anos. O corpo, extremamente preservado, foi encontrado em 1991. Estava congelado nos Alpes, virou uma celebridade da pré-história, mas não foi essa a causa-mortis. A autópsia moderna — sempre muito eficiente em analisar o defunto depois de milênios — descobriu uma ponta de flecha cravada em seu ombro esquerdo. A flechada perfurou uma artéria e Ötzi sangrou até morrer no gelo. Até hoje, contudo, a história preserva um grande mistério: ninguém sabe quem, afinal, disparou aquela flecha fatal contra o coitado.

No caso do magistério, porém, o mistério cai por terra. Não há segredo sobre a identidade dos arqueiros.

A começar pelo próprio nome do nosso personagem. Tomemos como exemplo o fictício personagem Sebastião — ou, como o chamam nas atas e nos corredores com um misto de respeito e comiseração, o Professor. O nome não é mera coincidência mitológica: tal qual o mártir católico, o professor passa a vida servindo de alvo. Sebastião não começou congelado, nem flechado. Há vinte e cinco anos, quando entrou pela primeira vez em uma sala de aula carregando apenas um pacote de giz, uma garrafa térmica e uma fé inabalável na educação, ele era puro fogo. Vontade de mudar o mundo, chamas de entusiasmo pedagógico.

Mas o cotidiano da educação tem uma física própria: ele não queima, ele descongela ao contrário. O ambiente vai esfriando o sujeito até transformá-lo em uma estátua preservada no tempo. Sem vida. Mas a aparência é de alguém que talvez esteja ali.  Sebastião virou Homem degelo, do verbo degelar: um ser que passou a vida inteira derretendo aos poucos, pingando a própria energia no piso de granilite da escola, até que só sobrou a carcaça petrificada um fóssil a ser banido da sala dos professores, banido dos arredores da escola.

A questão do Sebastião — e de tantos outros Ötzis de jaleco — é que a morte do professor nunca vem de uma vez só. É um esporte de tiro ao alvo praticado em marcha lenta.

A primeira flechada vem no primeiro quinquênio: o salário que desidrata. A segunda vem na reunião de pais: a autoridade pedagógica que se esfarela. As seguintes vêm em rajada: cortes de verba, violência, desvalorização e o eterno mandato de "fazer milagres com o nada". Na pré-história, Ötzi tomou apenas uma flechada certeira no ombro e morreu rápido. Sortudo o Ötzi. O professor Sebastião passa décadas sangrando profissionalmente.

Torna-se, por fim, o bom professor morto em vida. Um zumbi inofensivo, incapaz de comover até o aluno mais indisciplinado, perambulando pelos corredores sem ter sequer um céu pedagógico para onde ir.

O destino dos maus professores, contudo, às vezes é muito mais próspero. Esses — os professores-capatazes — não se deixam congelar. Em um ato de autodefesa, implodem a própria carreira docente para renascer nos estofados de alguma secretaria de educação ou no refúgio de uma sala burocrática. Por trás de uma mesa, armados apenas com uma cadeira giratória e um carimbo, ganham subitamente o poder da iluminação: desorientados incumbidos de orientar e descoordenados com a missão de coordenar. Gente com um currículo que parece um bilhete e a experiência de uma casca de noz, detonando a cooperação e anulando as possibilidades de debate em torno da educação com estudiosos, pesquisadores com formação continuada. O concurso é a porta de entrada e o sujeito pensando que é o Olimpo.  “Como seria bom se a escola fosse um programa de auditório. Passa ou repassa” ... Vai saber.

Afinal, a engrenagem não exige exatamente uma competência técnica oriunda de formação de carreira; raramente um bom professor se transforma em um bom diretor, até porque a política de educação pautada em hipocrisia, achismos, amadorismo, demagogia e quetais parece exigir pactos contraditórios aos princípios reais do magistério.

É aqui que a ironia atinge o seu ápice. Num passe de mágica institucional: aqueles mesmos que dispararam as flechas contra um São Sebastião, uma vez empossados, vivem a hipocrisia de uma falsa conversão. Antes, jogando pelas próprias regras, flanando num sistema sem controle real, escrevendo narrativas através de planilhas irreproduzíveis. Agora, praticam a microgestão seletiva com altivez dos anjos. Como quem de repente descobre a fé na gestão, o antigo arqueiro veste a túnica de autoridade e opera o milagre da amnésia conveniente. Convencido de que nunca mais precisará da trincheira, o algoz de ontem passa a ditar a oração de hoje. Alçado ao pedestal da coordenação, sente-se no direito sagrado de inquirir, questionar e determinar o fazer alheio, regrando com mão de ferro a própria convivência que ele ajudou a envenenar. Conta, para isso, com a subserviência resignada de quem continua servindo de alvo, esquecendo-se de que a maquiagem da conversão não apaga o sangue que ficou no arco.

Mais recentemente, essa mesma burocracia inventou a sua mais refinada arte magia: a gestão de alunos por osmose. A receita é simples: arrocha-se o professor moribundo no patamar da cobrança extrema: “PAD, PAD, PAD...”, como um mantra que ecoa aqui e ali, à boca pequena... como uma ameaça, como uma mordaça... enquanto muitos dos alunos continuam fazendo exatamente o que sempre fizeram — nada. Enquanto os muitos governos e secretarias de educação seguem fazendo o que sempre fizeram: nada! E ainda tem o familiar que vai à escola pra fazer a matrícula como quem faz uma promessa que só pretende cumprir se a graça for alcançada. Raros não. Mas é um tal de praguejar contra os santos. Santos mesmo são só os alecrins. “Mas essa escola!”, “Mas esse professor!”, “Mas essas más companhias!”

Enquanto isso, na “sala de justiça”: Intersetorialidade? Pra quê? Questionar os reais responsáveis pelo problema? De jeito nenhum. O burocrata prefere alvejar o colega com a imposição, o retrabalho, a glamorização da precarização e da exploração do trabalho e da apropriação indevida do produto e das ações e produtos intelectuais desenvolvidos pelo bom professor. Por fim: a sentença: “é difícil”, “se acha”, “se fosse bom tava na universidade”, “são ordens da coordenadoria”. Vejam: Uma empresa fornecedora ter o pagamento atrasado? Deus o livre. Mas que mal há em precarizar e explorar os recursos do docente? Ele já está ali pra isso mesmo...

Para resolver o abismo pedagógico, aplica-se a solução cartorial perfeita: fazem os estudantes assinarem "termos de compromisso" que todos sabem que jamais serão cumpridos. Enquanto o professor não tem de seu nem o direito à tranquilidade e a se sentir acolhido e seguro no ambiente em que trabalha. Tem de trabalhar pra trabalhar, registrar que trabalhou, enfrentar quem não quer que ele trabalhe, não reclamar do que falta para que seu trabalho aconteça e por fim, ser confrontado porque trabalhou da forma que trabalhou sendo que isso demonstra que outros não trabalham, não trabalharam, não sabem trabalhar ou nunca trabalharão.  Ou que se há muitas formas de se trabalhar, isso dará mais trabalho pra quem coordena ou dirige. Mas que nada! Quanto os que não acolhem se doem quando são tratados apenas polidamente. Se forem questionados, então...

Mas isso não importa. O ensino pode ser uma ficção e o professor pode estar sangrando até a morte, desde que, dentro da pasta do processo, os formulários estejam impecavelmente preenchidos. O professor é, nesse cenário, definitivamente, o homem degelo.

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Crônica: "Lembrando com carinho do seu José de Arimatéa, meu pai", de Erivelto Reis

 Lembrando com carinho do seu José de Arimatéa, meu pai

Gosto de me lembrar de algumas coisas sobre o meu pai. Gosto de me lembrar de que ele não se acovardava diante das injustiças; reagia, sim — com palavras e ações. Gosto de me lembrar do dia em que ele me ensinou a enfrentar o bullying na escola, numa época em que esse nome nem existia no espaço social do mundo que eu conhecia.

Gosto de me lembrar de que ele adorava música. Especialmente daquelas cujas letras eram mais uma crônica de acontecimentos e emoções do que metafóricas. Gosto de me lembrar de que ele era um comunicador nato, um contador de histórias com carisma para encantar a audiência. Gosto de me lembrar e sou grato pela maneira como ele recebeu minha companheira de vida em nossa família e de como entendeu rapidamente que, a partir daquele encontro, eu estava construindo ao lado dela uma nova família. E de como era gentil com ela.

Gosto de me lembrar de quando ele me deu uma máquina de escrever, entendendo o meu fascínio pela leitura e pela escrita ainda na minha infância. De quando me deu discos que me acompanham até hoje, deixando, inclusive, de comprar para si, em certa ocasião, um disco que aguardava ansiosamente para investir todo o lucro de uma semana de trabalho na compra do objeto da minha fascinação musical.

Gosto de me lembrar de que, na véspera de Natal do ano de 1981, ele só voltou para casa tarde da noite, exausto, mas trazendo modestos e maravilhosos presentes para mim e para meus irmãos.

Gosto de me lembrar de sua fibra moral e sua resiliência quando foi demitido e despejado em 1988 e teve que recomeçar; e de seu sangue-frio ao sofrer um revés terrível de violência e intimidação que teria mudado ainda mais drasticamente a história de nossa família naquele 25 de outubro de 1991.

Gosto de me lembrar de como ele era caprichoso com sua moto e seu carro, a ponto de fazer a manutenção com as habilidades de um mecânico ou de um profissional de estética automotiva. Gosto de me lembrar do seu zelo com o acervo de ferramentas. Do seu hábito curioso de preservar mesmo um despretensioso parafuso ou uma conexão hidráulica para uma eventualidade de reparo. Gosto de me lembrar do seu princípio inegociável de economizar fazendo ele mesmo as tarefas que fossem aparecendo.

Gosto de me lembrar do seu empreendedorismo. Do seu amor ao lugar onde trabalhou até se aposentar e das pessoas que daquele espaço faziam parte — especialmente os alunos, as alunas e suas famílias, que ano após ano o homenageavam. E não seria exagero dizer que, sob muitos aspectos, ainda hoje seu nome é uma referência ou lembrança agradável.

Gosto de me lembrar do seu costume de almoçar sentado ao rés do chão nas tardes de domingo, preferencialmente na varanda ou na sala de casa. De sua paixão pelo futebol, que jogava com alguma habilidade e muita disposição.

Gosto de me lembrar de quando, no seu jeito simples, ele me ensinava lições valiosas, alertando-me para a insensibilidade e as injustiças dos mais abastados que escolhem explorar a mão de obra dos trabalhadores, e para que eu reconhecesse as qualidades de quem, mesmo tendo muito, era humilde e gentil ao tratar os mais pobres e os que lhes prestavam serviços. Gosto de ter aprendido com ele que a dignidade de um trabalhador é inegociável e que o suor que escorre de seu rosto, fruto do seu trabalho, é tão valioso quanto o sangue que corre em suas veias.

Gosto de me lembrar de quando, no ano de 1983, ele me disse claramente, enquanto cortávamos a grama na casa de uma família de gente rica: “Meu filho, estude sempre para que um dia você não apenas tenha uma condição de vida como a dessas pessoas, mas para que você não seja ignorado e desprezado por gente com o padrão de vida que elas têm."

Gosto de me lembrar de que ele, diante de uma dor terrível como a da perda de sua mãe, manteve-se firme e prosperou no caminho do bem que ela lhe indicara. Gosto de lembrar que ele era carinhoso, mas também temperamental. Amável, mas, às vezes, instável. Gosto de me lembrar de que amava os netos. Que foi padrinho de minha filha mais velha e que, assim como fez comigo e meus irmãos, várias vezes jogou bola comigo e meus filhos aqui no quintal de casa.

Gosto de me lembrar dele com as qualidades e defeitos que tinha, e sinto muita saudade. Uma saudade agradecida por tudo o que ele fez, pelos caminhos que indicou e que ajudou a abrir. Eu sabia que ele andava pelos lugares me elogiando para as pessoas, falando bem de mim por conta da literatura, da minha trajetória acadêmica e de eu ter me tornado um professor — que era uma das profissões que ele mais admirava. E guardo com carinho a memória dos muitos elogios que ele me fez.

Gosto de me lembrar de quando, aos sábados, ele vinha direto da entrega dos queijos que revendia, feita na sua CG 125, ou das entregas e fretes que fazia na sua Pampa (e, depois de algum tempo, na sua Montana) e parava aqui em casa para me ajudar com as tarefas de manutenção do sítio. E às, vezes, sinto ainda hoje enquanto trabalho, decorridos quase nove anos de sua partida, que ele pode chegar a qualquer momento outra vez.

Gosto de me lembrar de que o tempo em que estivemos juntos foi, para nós dois, sempre de aprendizados. Gosto de me lembrar do dia em que ele me contou que só me conheceu quando eu já estava com três dias de nascido, lá na cidade de Rio Verde, Goiás, porque ele estava trabalhando num silo de armazenamento e distribuição de sacas de arroz em uma cidade distante. Nós estávamos jogando sinuca quando ele me contou essa história. Ele adorava vir aqui em casa nos domingos à tarde ou nas noites de sábado. Gosto de me lembrar que ele comprava pen-drives e pedia pra eu fazer playlists especiais ao gosto dele e dos filmes de faroeste que ele assistia um milhão de vezes. Gosto de me lembrar que ele foi um pai parceiro na minha vida de muitos desafios e que ele próprio teve que se reinventar muitas vezes para lidar com tudo que fez parte de sua trajetória.

Gosto de me lembrar do meu pai. Mesmo quando machuca a saudade dele.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Poema: "Ultima", de Erivelto Reis

 

Ultima

Erivelto Reis

 

A humanidade é a única espécie

Capaz de filmar a própria ruína

Com celulares de última geração.

Daí, vai lá e filma.

Ultima.

Poema: "Cupins e crocodilos", de Erivelto Reis

Cupins e crocodilos

Erivelto Reis

 

Sabendo do estrago que o cupim faz num lambri

Biombo oculta o estertor do amanhã de tua prole

Mais que isto, devoram-no, sorvem-no e engolem

O néctar da capacidade que arruínam por si e só por si.

 

Das altas ordens que não são do céu e descem ao rés do chão

Só cumprem mesmo as que podem ser ficcionalizadas

Inventam índices, batalhas não travadas.

E debocham delas com desfaçatez e convicção.

 

Crocodilos choram enquanto agoniza a sua presa

Sabe-se disso há muito tempo, não há sequer surpresa

Espanto é vê-los plácidos ante o horror que nos faz ficar aflitos

 

Dizer-se-ia, incautos que os não conheça,

Que dentre estes há ainda quem mereça

A honrosa meta de instruir aos vossos filhos.