Erivelto Reis - Poemas e Crônicas
Quem sou eu
- Erivelto Reis - Poemas e Crônicas
- Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Poema: "Medieval", de Erivelto Reis
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Crônica: "Compliance, meu amigo, compliance", de Erivelto Reis
Compliance, meu amigo, compliance
Erivelto Reis
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Poema: "Anatomia de um Pixuleco", de Erivelto Reis
Anatomia de um Pixuleco
Erivelto Reis
Usa o poder para se autopromover
Paga com o poder os débitos e favores
Que acumula, secretamente,
Servindo aos interesses de terceiros
Que o conduziram ao posto que ocupa.
Usa o poder pra inibir, perseguir ou desarticular
Os que lhes sejam contrários,
Subverte as regras e leis
Em benefício de sua incapacidade,
De sua inabilidade, sua autocracia,
Ou dos interesses que tenta ocultar ou camuflar
Com sua prática danosa política,
Ética e laboralmente questionável.
Sua retórica é rasa,
Constitui-se de axiomas extraídos do senso comum,
De silogismos que envergonham
Quem trabalha ou pesquisa realmente
Uma determinada área do conhecimento.
O Pixuleco é pródigo em bravatas e negociatas...
Omite informações
Ou espalha ilações maledicentes
Sobre os que discordam
De sua postura e de seus métodos.
Sua moralidade está a serviço de suas cascas de ferida...
Não deem poder aos Pixulecos.
E não é só no STF que eles aparecem.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Declaração de Miranda para o Professor Público Precarizado
Erivelto Reis
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Poema: "Hipocrisol", de Erivelto Reis
Hipocrisol
Erivelto Reis
É pior do que terçol
É pior que não ter sol...
Uma injustiça programada
Uma sacaneada em doses,
Uma puxada de tapete
Administrada em drágeas.
Com o patrocínio de hipocrisol
O sujeito que não se sujeita
Vai ficando mais comprimido.
Hipocrisol
Disfarça incompetência
Serve como laxante
Para as cagadas constantes.
Hipocrisol:
Não é cura, faz ferida
Ele é a doença.
Hipocrisol
É bem mais comum do que se pensa...
Hispocrisol
É pior do que terçol
Enxaguante de besteirol
Blá, blá, blá violento
Funciona como um unguento
Que deixa em carne viva...
Inibidor de apetite
Gatilho para gastrite...
Um monte de gente
Com discurso combinadinho
Tomando hipocrisol no copinho
Como whey de proteína...
E ainda há quem acredite.
Hipocrisol não é colírio
Tem venda sem prescrição
Amostra grátis o tempo todo
Servindo de explicação.
Hipocrisol
É pior do que terçol.
Hipocrisol
Adstringente da razão
Abafador de clima
Para impedir que os de baixo
Critiquem os que estão em cima.
Hipocrisol
É placebo!
Mas tem gente que acredita.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Poema: "Anamnese", de Erivelto Reis
Anamnese
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Poema: "O chão da escola", de Erivelto Reis
O chão da escola
Erivelto Reis
Há uma poça de lama no chão da escola
No bairro da escola, na rua da escola
Há uma poça de lágrima
Que escorre no chão da escola
Há uma poça de suor e sangue
No chão da escola
Um livro uma professora um servente
Desprezados no chão da escola
Só os discursos sobre o chão da escola
Parecem edificantes
Ficções para principiantes
Um chão por onde já poucos caminham
Do qual muitos se desviam...
Uma trincheira – última linha antes da barbárie
A chave do cofre está nas mãos
Dos que ainda resistem no chão da escola
Depois, arrombada e saqueada,
Privatizada a educação
– o per capta do governo
Pago aos abutres e lemans que estiverem em cena
Vai se maior que o pib das grandes potências
E a escola vai ter franquias e filiais como bobs e habibs
E vai vender minguados créditos aos filhos dos
trabalhadores
como quem carrega um pré-pago, um oi ou um tim talvez,
claro...
Pra o aluno pobre matriculado aprender quanto puder
No tempo que lhe for destinado.
Ou haverá plataformas e aplicativos com algoritmos viciados
Como uma bet pra perder o futuro de vez.
Uma fábrica de operários mudos e obedientes
E mal remunerados.
Há muito lodo no chão da escola
Um escândalo que, se revelado,
Faria ver a todos o quanto de posse há sobre o chão da
escola
De concreto só os decretos e os pontos estratégicos
Dos prédios que interessam aos investidores
E o que eles significam em lucro, propaganda e controle.
Um chão de deixar doente, um chão úmido,
Do qual já não parecem germinar as boas sementes.
Há um chão da escola, viciado em desmantelar gente.
Há um chão da escola diferente...
Há um caixão da escola!
Há ainda alguns poucos indignados...
Resistindo, lutando... re-velando.
E um montão de gente indiferente.
Onde é que fica o chão da escola?