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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Poema: "Santimônia", de Erivelto Reis

 

Santimônia

Erivelto Reis

 

Em agudo sofrimento

Foi ao mercado,

Curtiu um post,

Compartilhou um meme,

Escolheu uma roupa,

Almoçou bem...

Mas a cabeça tava a mil,

O coração a mais de 100,

O cérebro em motim...

A depressão também é assim.

Ansiedade e frustração

Como duas facções inimigas

Duelando no desfiladeiro das suas emoções,

Nos becos de suas inseguranças,

Nos escombros de sua autoestima...

Quem vê sua selfie, nem acredita

Nem imagina...

Quem vê cara, não vê depressão...

Não é toda regra que tem uma exceção.

E ainda tem a milícia da dopamina

Esfregando sua cara

No altar do arrasta pra cima...

Adorando o deus das curtidas!

A depressão também é assim.

Vai à praia, faz amor, reza despudoradamente

Um credo descrente...

Faz do hospedeiro uma casca...

De um segundo uma eternidade!

E impede de perceber horizontes.

Tudo é pra ontem!

Nada é pra sempre...

A depressão também é assim.

Sem insônia, exterior em santimônia.

Tem filme preferido, tem séries de conforto,

Tem áudios dos filhos e foto no aeroporto.

Tem férias em família, passeio de barco,

Foto na academia e aventura na trilha.

Ilhas de desafogo...

Desse jeito ninguém desconfia.

Um pedido de ajuda em código de silêncios intercalados...

Os casos crônicos de torpor e vícios

Não podem servir como únicos indícios.

A depressão também é assim...

Você sai de você pra brincar de fazer

O que você mais gostava

E nunca mais volta pra casa

Onde seu coração morava...

domingo, 4 de janeiro de 2026

Poema: "Blitz", de Erivelto Reis

 Blitz

Erivelto Reis

 

Usa o idioma, usa o cinema

E a sua música pra vender

A ideia de um lugar alegre

A ideia de um lugar feliz...

O norte-americano tosco gosta

É de abrir uma cova

Pra enterrar a soberania de outro país

 

Usa a economia, as universidades

As forças armadas, a busca da liberdade

E da democracia como fachada,

Exclusividade de sua força motriz...

O norte-americano monstro não presta

Pode começar uma guerra

Pra explorar e explodir

Pessoas e governos em outro país

 

Se fecha para o mundo

E posa de vitrine,

E modelo de tecnologia e modernidade

Para todas as nações

Enquanto mantém um ninho de ratos,

Uma CIA de assassinos e espiões

E de tempos em tempos

Elege e reelege inimigos além das fronteiras,

Depõe governos e

Faz a sua nova blitz...

 

Animal apocalíptico sem verniz

Ignora a ONU, a cooperação multilateral

De qualquer tratado internacional...

O norte-americano mau, moralista fajuto

Faz da guerra e da morte

A mola propulsora de seu lucro.

 

De vez em quando um Clinton,

De vez em quando um Kennedy

De vez em quando um Bush

De vez em quando um Reagan

 

De vez em quando um Truman

De vez em quando um Trump

De vez em quando um Carter

De vez em quando um Biden

 

Isso não é acaso, isso não é acidente

É um padrão de violência

É a recorrência histórica

Da escolha de padrões de governo

Explicitada pelas políticas de guerra,

De intervenção econômica

Mantidas por seus presidentes.