Neutro
Quem sou eu
- Erivelto Reis - Poemas e Crônicas
- Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
Poema: "Neutro", de Erivelto Reis
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Poema: "Seria um bom domingo", de Erivelto Reis
Seria um bom domingo
Erivelto Reis
A saída mais perto é para o fim.
E é também a mais longe
Disfarçada de única.
Não tem foice, nem alfange,
Nem caveira, nem máscara,
Nem túnica
Suficientes...
Quando se passa dos limites
Suportáveis.
O pensamento passa mil vezes
Filmes inclassificáveis.
Os hormônios, os neurônios
São intransigentes.
Tal como um membro amputado
Que não para de doer,
Como pode um coração amputado,
Dilacerado
Não parar um instante de se debater?!
Cérebro não é pátria alguma
Onde a razão possa se hospedar!
Quando não se constrói coisa nenhuma...
E corrói saber que o que se faz
Não machuca tanto
Como o modo que se diz
Receita clássica de fazer
Gente sem amigos, amargurada,
Última e infeliz:
Apenas mudar os móveis de lugar
E crer inaugurar um novo país...
Amanhã seria um bom domingo.
terça-feira, 14 de abril de 2026
Poema: "Tábua sem salvação", de Erivelto Reis
Tábua sem salvação
Erivelto Reis
Tristeza mareja o olhar
Saudade turva:
Tábua sem salvação!
Enquanto se tenta respirar...
Desespero é espalhar as lágrimas
No rosto, apertar os olhos,
Debatendo-se desordenadamente,
Gritando silenciosamente...
Soluçando cada sílaba
Do nome à deriva...
Medo: ente desobediente!
Naufragado etéreo.
Um mar na cara
Afogando o tempo...
–Tábua sem salvação –
Parados na eternidade do sofrimento.
Desesperado coração,
Desesperada mente.