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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Poema: "Neutro", de Erivelto Reis

 Neutro

Erivelto Reis

Neutro é uma forma de deter gente.
É colonialismo
É misoginia
Dissonância cognitiva
Mentira e arrogância
Numa embalagem discreta...
É preconceito,
Puxadinha de tapete
Fingir inteligência com IA.
Neutro é uma forma de deter gente.
Neutro
É o favorecimento da desigualdade
Neutro
É o discurso do terremoto da meritocracia
Neutro é uma forma de deter gente.
Neutro
É o disfarce do abusador
Do tóxico assediador
Do colega que te vende
Por um melhor dia na semana
Que faz da educação
Sua fazendinha, seu game.
Neutro é uma forma de deter gente.
Neutro é a violência
De smoking alugado
Na festa do não ler, não ser,
Não saber e ter raiva de quem sabe
É uma omissão low-profile.
É o desprezo pela qualidade
Da formação do outro
Uma inveja que escapa como mini arrotos.
Neutro
É um verniz que descasca
É o jeito adulador de equilibrar a máscara.
Neutro é uma forma de deter gente.
Neutro é um moralismo tacanho
É um cuidado em não ouvir o que é real
É um filtro sobre a realidade
É um storyelling de narrativa
Perigosa e vazia.
Neutro
É um comportamento de herdeiro
É atacar em surdina...
É o sorrisinho de vaselina
De quem parasita qualquer hospedeiro
É sinônimo de conivente
Neutro não é uma qualidade.
É fazer política como forma de covardia!
É sinônimo de conivente...
Neutro é uma forma de deter gente.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Poema: "Seria um bom domingo", de Erivelto Reis

Seria um bom domingo

Erivelto Reis

 

A saída mais perto é para o fim.

E é também a mais longe

Disfarçada de única.

 

Não tem foice, nem alfange,

Nem caveira, nem máscara,

Nem túnica

Suficientes...

 

Quando se passa dos limites

Suportáveis.

O pensamento passa mil vezes

Filmes inclassificáveis.

 

Os hormônios, os neurônios

São intransigentes.

Tal como um membro amputado

Que não para de doer,

Como pode um coração amputado,

Dilacerado

Não parar um instante de se debater?!

 

Cérebro não é pátria alguma

Onde a razão possa se hospedar!

Quando não se constrói coisa nenhuma...

 

E corrói saber que o que se faz

Não machuca tanto

Como o modo que se diz

Receita clássica de fazer

Gente sem amigos, amargurada,

Última e infeliz:

Apenas mudar os móveis de lugar

E crer inaugurar um novo país...

 

Amanhã seria um bom domingo.

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Poema: "Tábua sem salvação", de Erivelto Reis

 Tábua sem salvação

Erivelto Reis

 

Tristeza mareja o olhar

Saudade turva:

Tábua sem salvação!

Enquanto se tenta respirar...

 

Desespero é espalhar as lágrimas

No rosto, apertar os olhos,

Debatendo-se desordenadamente,

Gritando silenciosamente...

Soluçando cada sílaba

Do nome à deriva...

 

Medo: ente desobediente!

Naufragado etéreo.

Um mar na cara

Afogando o tempo...

 

–Tábua sem salvação –

Parados na eternidade do sofrimento.

Desesperado coração,

Desesperada mente.