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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Poema: "Silos", de Erivelto Reis

 Silos

Erivelto Reis

Uma saudade grata.
Uma lembrança que não passa.
Quem tem seu quinhão de amor,
Já deixou a terra semeada.
Poesia, pão e trigo!
Um poeta tão criança,
Um menino tão antigo...
A colheita e o reencontro não tardam,
A memória lota silos.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Poema: "Cantilena", de Erivelto Reis

Cantilena

Erivelto Reis


Escuto o teu murmúrio

Como se fosse prece.

Em meio às tuas febres,

Não é o meu semblante

Que nos teus delírios aparece.

 

Caminhas pela casa,

Fantasma onipresente

Que não portando alma

Nem és santo, nem és gente.

 

Amou-me e desamou

Sofreu e fez sofrer quem não merece.

Amor, raro licor,

Escuto o teu murmúrio

Como se fosse prece.

domingo, 10 de maio de 2026

Poema: "Double Fantasy", de Erivelto Reis

Double Fantasy

Erivelto Reis

 

Às vezes,

Você pensa que está trabalhando

Mas está saindo

Do Dakota Building

Talvez pela última vez...


Às vezes, em certos lugares,

Você pensa que está agradando

Mas, sem saber, está apenas

Autografando um long-play

Pra um assassino.


Às vezes você pensa.

E enquanto pensa, nem sempre nota

(O monte de Judas em Dakota)


O quanto Chapman trama

Puxar seu tapete, puxar o gatilho,

Fechar sua porta...

Deixar órfão o seu mundo,

Deixar órfão o seu filho.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Poema: "O futuro é pra dentro", de Erivelto Reis

 

O futuro é pra dentro

Erivelto Reis

Quando

O Homem deixar de ser a humanidade

O feminino passar a ser o ser o universal

A arte for o ar que oxigena a existência

Começaremos a transformação

Quando

A educação comportar a memória da sabedoria ancestral

A ética estiver em todas as consciências

E a música nos irmanar

Em paz e afetos genuínos

Quando

Amor e amizade não forem mais substituíveis

Nem descartáveis

Haverá alguma chance

O futuro é pra dentro

Pra um lugar que ainda não existe

Em todo mundo

Oco, ergue-se e desmorona

Num jogo de luz e sombra.

Catedral ou cratera

Conforme avança o tempo.