Quem sou eu

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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

terça-feira, 24 de março de 2026

Poema: "Sabre", de Erivelto Reis

 Sabre

Erivelto Reis

 

Senhores,

Vossas cadeiras são fantasmas,

Assombram quando o espírito mau

As possua...

Vossas tentativas de astúcia

São lupas de vossa horrenda

E desmedida incapacidade.

Elenco de vossa fúria

É a ignorância não ignorável

De vossa inveja, de vosso recalque:

Pagar pela viagem,

Não aproveitar a paisagem

Porque não sabe para onde vai

E porque se esqueceu de onde veio.

Vosso poder é um devaneio

Vossos fiadores estão morrendo de medo

De que vossas tramas

Estreiem ante a plateia

Que não ri de vossos truques

E que sabe que o que ofereces

Não chega nem perto de um espetáculo.

Vossos sonhos são ganâncias

Aos quais vossa estupidez

É obstáculo.

Vossas bocas cospem delitos

Vossas mãos simulam tentáculos.

Vossos sonhos são artimanhas

Às quais vossa estupidez

Converte em provas

De vosso ostensivo fracasso.

Senhores...

Inútil querer o que o poder não pode

Inútil querer o que o saber não sabe.

Vosso gesto insalubre,

Parte de vosso costume:

Esmurrar uma porta que jamais se abre,

Brandir pra ameaçar com a guarnição

Sem gume, sem sabre...

segunda-feira, 16 de março de 2026

Poema: "Dissonantes", de Erivelto Reis

Dissonantes

Erivelto Reis

 

É preciso ter esperança

Para ter coragem

Às vezes ocorre uma coragem

Sem esperança,

Uma centelha disruptiva

Entre o emocional e o racional.

É preciso ter coragem, apesar da esperança

Para dizer claramente

Que os pactos silenciosos

Entre os estúpidos e violentos

E mal intencionados

Não se chama coragem, se chama covardia.

Não se atribua a esses

Ilações sobre ética e consciência...

Os corajosos e esperançosos

Debatem em campo aberto

À luz do dia, sem reféns e sem escudos.

Sua coragem liberta, liberta-nos, liberta-os.

A coragem esperançosa dos utópicos

Difere em muito

Da covardia preguiçosa dos dissonantes

Onírica e cognitivamente.

Os utópicos penam, padecem

Os dissonantes ruminam.

Não dá pra dizer, a priori,

A quem a ruína escolha:

Os que sonham corajosamente

Os que tramam covardemente...

Mas dá pra saber quando há escombro

Escorado em carma.

É só olhar com calma.

terça-feira, 10 de março de 2026

Poema: "Não sou eu", de Erivelto Reis

 Não sou eu

Erivelto Reis

 

Certamente, não sou eu

Quem deseduca o seu filho.

Certamente, não sou eu

Quem deseduca o seu filho.

 

São os teus secretos vícios,

É a intolerância e o fanatismo

É a inveja e a estupidez

São seus traumas de infância...

É a sua arrogância

E a visão desatualizada

Que tens sobre a educação.

 

É o dinheiro que te sobra

É o dinheiro que te falta

É a tua política de trocar

O teu voto por ilícita vantagem

E por qualquer favor...

É o respeito que não tens

Por alguém que acolhe o futuro

Da geração do teu amor.

 

Certamente, não sou eu

Quem deseduca o seu filho.

Certamente, não sou eu

Quem deseduca o seu filho.

 

É a bestial rede antissocial

Que abriste como

Se adormecesse o Cérbero

Para que teu rebento

Fosse habitar no hades virtual

E assim, anestesiar o cérebro,

Tornando-o pouco usual.

 

É a tela sempre usada

Como amiga, conselheira e babá

É premiar o mal feito

É a ética rara, escassa

É a falta de diálogo

Só menor que a de exemplo

Que cultivas no jardim de tua casa.

 

Certamente, não sou eu

Quem deseduca o seu filho.

Certamente, não sou eu

Quem deseduca o seu filho.

Poema: "Teórico", de Erivelto Reis

 Teórico

Erivelto Reis

 

Porque eu sabia

Que era mais fácil

Um deus fingir-se caótico

Do que fingir-se teórico

Porque eu sabia

Que era mais fácil

Um deus sacar a espada

Do que matar a esperança

Porque eu sabia

Que era mais fácil

Eu perseguia

O improvável

O impossível

O imponderável

Não bastaria qualquer milagre

Ou teoria.

Justo no dia do seu descanso

Ele, pessoalmente, me explicaria...

Ou o universo se abria

O então eu não creria

Porque eu sabia

Que era mais fácil

Um deus todo feito de amor

Do que ocupado qual professor...