Dissonantes
Erivelto Reis
É preciso ter esperança
Para ter coragem
Às vezes ocorre uma coragem
Sem esperança,
Uma centelha disruptiva
Entre o emocional e o racional.
É preciso ter coragem, apesar da esperança
Para dizer claramente
Que os pactos silenciosos
Entre os estúpidos e violentos
E mal intencionados
Não se chama coragem, se chama covardia.
Não se atribua a esses
Ilações sobre ética e consciência...
Os corajosos e esperançosos
Debatem em campo aberto
À luz do dia, sem reféns e sem escudos.
Sua coragem liberta, liberta-nos, liberta-os.
A coragem esperançosa dos utópicos
Difere em muito
Da covardia preguiçosa dos dissonantes
Onírica e cognitivamente.
Os utópicos penam, padecem
Os dissonantes ruminam.
Não dá pra dizer, a priori,
A quem a ruína escolha:
Os que sonham corajosamente
Os que tramam covardemente...
Mas dá pra saber quando há escombro
Escorado em carma.
É só olhar com calma.

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