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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Poema: "Retrô-grafado", Erivelto Reis

Retrô-grafado

Erivelto Reis

 

O autógrafo é um rabisco

Que só vale quando o poeta está vivo

Acorda, criatura...

Como pode a obra valer menos que a assinatura?

Arte literária libertária

Não é arte tabelionária.

Vale o carinho de ter assinado,

Mais do que o enjambement?

Mente sã, literatura vã...

É um galo sozinho querendo tecer

Uma manhã

É um interlocutor andando atrás,

Morando dentro do José

Quando o mundo dele ruiu.

 

Gullar me escreveu uma dedicatória.

Me entregou o livro pela janela.

Comprei um livro autografado por Hilda Hilst

Só porque gostei da letra dela.

Um livro do Walter Benjamin

Caiu em cima de mim.

Li bem um livro de Aragon

E me surpreendi porque o achei surreal.

Não gostei de Baudelaire

Porque suas flores são do mal.

E porque cansei de o confundir com Flaubert...

 

O autógrafo é um rabisco

Que só vale quando o poeta está vivo

Acorda, criatura...

Como pode a obra valer menos que a assinatura?

 

Confessar ignorância ou

Fingir sapiência...

Nenhum farsante resiste,

Nenhum arrogante resiste

a dois minutos de ciência.

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