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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 28 de junho de 2026

Poema: "Bueno", de Erivelto Reis

 Bueno

Erivelto Reis
Para alguns, as becas,
Os capelos e os salões,
Paramentos, capas duras e fardões.
Para alguns, os nomes de família,
Os brasões, os barões e tubarões,
Refletidos nos cristais de Baccarat
Das confeitarias e nos vitrais
Das bibliotecas.
Incenso saltando dos rascunhos.
Para outros, apenas o bar na esquina
Da Presidente Wilson;
Um pró-labore por serviço,
Uma literatura com preservativo
Para proteger-se
Do que quer que chamem a isso.
Para alguns, a grife;
Para outros, sobrevivência
E sustento.
Pertinho do sonho,
Quase como se fosse
Da família,
Quase como se fosse acadêmico.
Nem tudo é tão perfeito
Quando visto de perto
E por dentro.
Aceitar o fardo,
Quando lhe negam o fardão,
É um prêmio injusto
De desconsideração;
É uma láurea do imaginário.
A corredeira desce inóspita...
Dentre todas as letras,
Algumas têm mel
Ministérios da Cultura...
E outras, só mistério.
Desde a Araújo Porto Alegre —
E não vai sobrar ninguém —
Da Almirante Barroso
À Rua México,
Da Candelária até os
Versos de Campos & Sant'Anna.
Como é bacana essa gente que
Lima Barreto, que lima outras gentes!
Na porta da igreja de Santa Luzia,
Bandeira vigia, feito estátua,
E tísico declama "Belo Belo".
Dura lex, sed lex...
A lei é dura, mas é lei.
Eu sei, Alex...
Eu sei.

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