Quem sou eu

Minha foto
Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Poema: O que há de Rosa em Pimenta - Erivelto Reis

O que há de Rosa em Pimenta
À margem direita
Estão sentados quase todos.
À margem esquerda,
Estão todos exaltados:
Nem Deus, nem o diabo
Têm existência fora disso.
Sentar-se à esquerda ou à direita dos líderes
É uma forma de exílio.
Sentar-se com os amigos
É uma forma de brandir
A loucura do lúdico
Na cara do infortúnio.
Mesmo se no silêncio
Mais característico
Do estertor do fim do mundo.
Amizade é mais melodiosa
Que amor e música
É um amor com música
Tudo mais fica à margem
Na terceira margem:
De onde parecem partir todas as mensagens
E para onde nenhuma mensagem parte.
É para onde o navegante regressa,
Um porto fora do mapa,
Uma foz que desconhece represa...

domingo, 14 de junho de 2015

Poema: Uma lição de botânica - Erivelto Reis

UMA LIÇÃO DE BOTÂNICA
Erivelto Reis


Entendo, talvez, a rosa,
Que propaga a pétala
Como o ápice de sua existência.
Entendo, talvez, que o espinho
Seja seu companheiro imposto
Ou que esta o escolha, desde que
A agudez do seu poder
Não seja usado contra ela ou contra os que a admiram,
Conforme ela determine a ele.
Entendo, talvez, que o espinho esteja
Relegado ao plano de ser espinho enquanto
Acompanhe a rosa.
E, fora disso, seja reles, vil...
Entendo, mas não aceito
Que haja no espinho, antes de protegê-la,
Pretensão de envergonhá-la!
O espinho ama a rosa:
Entende-a, respeita-a...
Mereceu estar ao seu lado.
Não é como os demais que
Querem possuí-la ou,
Num argumento infantil e tolo,
Apenas olhá-la.

Entendo, talvez, a rosa...

domingo, 7 de junho de 2015

POEMA AO PIBID/FIC - Erivelto Reis

POEMA AO PIBID/FIC
Erivelto Reis
Eu quereria, em criança,
Que os bolsistas PIBID/FIC
Tivessem ido à minha escola.
Quereria ter lido com eles
A emoção de entender as primeiras
Histórias.
Que eles tivessem feito, como fazem agora,
A minha imaginação infanto-juvenil decolar,
Através da arte e da Literatura,
E a minha emoção rolar a partir dos sentimentos
Que sempre estiveram em mim,
E que eles fizessem aflorar.
Quereria vê-los ao lado de meus
Professores e professoras,
Acreditando em mim,
Incentivando-me,
Protegendo-me das coisas feias do mundo.
Quereria isso em meu passado,
Desejo isso para o futuro dos jovens,
Dos adultos e, sobretudo, das crianças.
Educadores, de mãos dadas, comprometidos:
Mais do que alfabetizando,
Ou cobrando a leitura da lição,
Mediando a viagem através da Literatura,
Espalhando amor,
Abraçando com candura,
Vencendo as dificuldades com profissionalismo
E perseverança...
Na prática social, merecedora de reverência,
Aqui definida num conceito subjetivo,
Mas no qual eu acredito:
Letrar é semear a esperança.
Letrar é multiplicar afetos,
Letrar é ler a poesia da alma.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Poema: Vista - Erivelto Reis

VISTA
Erivelto Reis
Para Primitivo Paes
Não perdi você de vista
E sei que nunca vou perder.
Convivo com sua memória
Com uma saudade constante.
Lembro-me de seu aniversário,
Do seu sorriso, de onde íamos,
Do que falávamos.
Eu não perdi você um só instante:
Leio sua distância,
Sinto sua presença!
Dizem, os que não conhecem,
Afirmo, porque eu sei:
É amor que dói, não é tristeza...
Tristeza lateja, cicatriza e marca,
Quando a vida lacrimeja.
Amor transporta, transfere-se,
Recria, regenera e salva.
Amor é a chave da casa,
Mesmo se esta parecer ruína.
É o rumo da estrada,
É a rima...
É a nota de uma canção que nunca termina.
Essa é a razão que eu tenho
Pra não ser pessimista!
É assim que me sinto:
Eu sei que nunca vou perder
Você de vista.

sábado, 16 de maio de 2015

Marmoraria - Poema de Erivelto Reis

Marmoraria
Erivelto Reis

Como todas as pedras têm função
Alguém quis, sei lá por que razão,
Que os humanos fossem iguais.
Atribuíram funções,
Postos, posições hierárquicas,
Políticas e anárquicas.
Talvez meia dúzia de propósitos.
Organizaram, então,
Com os grãos as pedras,
Com as pedras, as montanhas...
Com a humanidade não organizaram nada.
Ou, decerto, não entendi a sua organização...
Dureza não é o único predicado
Que une pedras e homens.
Os nomes, as classes, os valores,
E o que há em seus interiores...
Foi tudo catalogado, mas ainda não tão bem explicado.
As pedras têm matizes, cores
E pertencem ao reino dos minerais
Os homens têm gêneros,
Quase todos transsentimentais
Uns atiram pedras,
Outros recebem pedradas...
As palavras são pedras
Que se libertam dos homens
Têm valor incalculável,
Ou causam ferimentos letais...
Alguns homens são pedras
Que se tornaram animais.


Poema: A traça - Erivelto Reis

A Traça
Erivelto Reis
A traça tem um troço,
Um treco,
Uma trapaça que atrapalha:
Devora os livros,
Não sabe nada!
Os transforma em buraco,
Fungo, mofo, migalha.
A traça se atraca com a palavra
Que ignora.
Agora,
Há que se dizer, não para.
Não importa o preço!
Por um triz, não a esmigalho,
Amasso e me vingo do mal
Que constato e do qual padeço:
Outro estrago nas obras por
Que tenho apreço.
A traça tenta de novo,
Desta vez, outro livro, –
Seu sustento é sua sina...

Criatura miserável:
Viver entre os livros
E morrer à míngua.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Poema: "Parábolinha" - Erivelto Reis

PARÁBOLINHA
Erivelto Reis
Que dia foi este em que a Educação
Soprou aos teus ouvidos prometendo-te fortuna?
Prometeu-te trabalho,
Mas tu ouviste emprego.
Prometeu-te inquietude,
Mas tu ouviste sossego.
Não pode ser,
Seu ego é cego, surdo à realidade?
Que absurdo:
Educação é condição humana fundamental
Para nossa continuidade: como a água ou o ar.
Mas tu ouviste “status”; tornaste-te Midas,
Que em tudo que toca transforma em ferrugem,
Postergação e queixume...
Que afugenta com fogo do orgulho, que abusa
E se recusa a aceitar o desafio do conhecimento.
Mas topa na hora a empáfia de desafiar
Os de teu próprio exército.
A Educação te abriu os grilhões,
E tu inventaste novas prisões.
A educação te fez livre e tu te tornaste agressivo,
Evasivo, corrosivo e crítico dos que a teu favor trabalham.
Devias aprender para mudar,
Mas simulaste aprender para ostentar o título,
Que proclama coisas que tu mal dizes e mal sabes.
És soldado ileso, sem cicatriz.
És parecença do que é ser aprendiz.
És o porta-estandarte, da arte que desconheces.
Mentes se diz “mestre”; tremes se ouves “prove”.
Assuma teu posto, mude, tire a prova dos nove.
Arrepende-te!
A Educação é o novo evangelho a que te convertes.
Construa-te!
Não envenenes a água que tu mesmo bebes.