Formatura
Erivelto Reis
Quando o seu nome for pronunciado,
Solicitarem que você se coloque diante
Da mesa de professores,
Para receber a honra que você conquistou,
Sua vida vai desfilar no retrovisor
Da sua retina…
Em uma memória de espiral,
Que mescla o primeiro dia na Faculdade,
O momento da escolha do seu curso,
As suas maiores dificuldades,
E o semblante das pessoas
Que foram suas companheiras.
Isso tudo numa fração de segundos…
Caminhe de cabeça erguida,
Com humildade, decerto,
Mas vislumbre o horizonte.
Seus familiares, emocionados,
Aplaudem pensando: “eu sabia!”,
Alguém, talvez, se remoa, “quem diria?!”,
Intimamente desejando ocupar o seu lugar…
Mas só você sabe o quanto e como você fez por merecer.
Esse será o primeiro grande dia
Dos muitos, das muitas conquistas
De sua vida profissional.
É a cerimônia do seu batismo,
É a sua tão sonhada redenção.
É o dia do seu enlace definitivo
Com a história da Educação.
Quem sou eu
- Erivelto Reis - Poemas e Crônicas
- Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.
sábado, 12 de setembro de 2015
sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Poema: § Revisão § - Erivelto Reis
§ Revisão §
Erivelto Reis
Nada me traduz direito…
Às vezes, uma expressão
Apreendida do que eu disse ao acaso,
Perde completamente o sentido.
Talvez o incólume tradutor
Não me tenha compreendido bem.
Ninguém me traduz perfeito,
Ninguém me descreve plenamente feliz…
Sou encadernação rota,
Velha folha solta,
Edição esgotada, nunca publicada,
Página de diário sem qualquer elã,
Omissão do ecrã,
Erê de enciclopédia,
Traça suicida,
Orelha rabiscada,
Rasura, pé de página,
Enredo denegrido,
Pauta abortada,
Revisão na borda…
Ninguém me traduz direito,
Quando nem eu me escrevo.
Erivelto Reis
Nada me traduz direito…
Às vezes, uma expressão
Apreendida do que eu disse ao acaso,
Perde completamente o sentido.
Talvez o incólume tradutor
Não me tenha compreendido bem.
Ninguém me traduz perfeito,
Ninguém me descreve plenamente feliz…
Sou encadernação rota,
Velha folha solta,
Edição esgotada, nunca publicada,
Página de diário sem qualquer elã,
Omissão do ecrã,
Erê de enciclopédia,
Traça suicida,
Orelha rabiscada,
Rasura, pé de página,
Enredo denegrido,
Pauta abortada,
Revisão na borda…
Ninguém me traduz direito,
Quando nem eu me escrevo.
Poema: (Over) dose - Erivelto Reis
(Over) dose
Erivelto Reis
Bastou tomar dois uísques,
Que as palavras jorraram de mim,
Como cachaça de alambiques.
Bastou tomar duas doses,
Pra confundir os sons,
Pra ouvir vozes,
Pra suspeitar dos maçons,
Pra ficar amigo dos garçons.
Para emergirem antigas dores atrozes.
Pra rabiscar os livros,
Pra suspeitar dos vivos,
Desenterrar velhas fotos,
Recordar os mortos,
Cantarolar tristes músicas,
Apegar-se a minúcias,
Embotar as núpcias…
Bastou beber dois goles,
Pra igualar-se a um trapo,
Rabiscar guardanapo,
Pra perder a bic,
Pra dar chilique,
Pra ficar com inveja,
De quem se diz chique.
Bastou tomar dois uísques,
Pra ler Leminski,
Pra ouvir Wisnik.
Pra misturar os contos de Clarice,
Pra cometer tolices.
Olhei as linhas tortas,
Das palmas das mãos trêmulas,
Qual duas flâmulas,
Qual dois emblemas…
As vias da vida se atiravam
Para todas as direções!
Iam, inicialmente, para longe…
Depois, pra bem perto:
A um Lugar onde, lentamente,
Estão morrendo os sonhos.
Bastou tomar dois uísques…
sábado, 25 de julho de 2015
Poema: "Engenhagem Narratória" - Erivelto Reis
Engenhagem Narratória
Erivelto Reis
Não há mulher sem vitória,
Não há homem sem derrota.
Não há mulher sem poesia,
Não há homem sem história.
Não há mulher sem memória,
Não há homem sem lembrança.
Não há mulher que não pragueje,
Não há homem que não xingue.
Não há mulher sem maldade,
Não há homem que não brigue.
Não há mulher sem veneno,
Não há homem sem remédio.
Não há mulher sem segredo,
Não há homem sem pecado.
Não há mulher sem coragem,
Não há homem sem medo.
Não há mulher sem sentido,
Não há homem sem direção.
Não há mulher sem mistério,
Não há homem sem evolução.
Não há mulher sem charme,
Não há homem sem arrogância.
Não há mulher desinteressante,
Não há homem sem importância.
Qualquer coincidência,
Não é mera semelhança...
Não há mulher sem atalho,
Não há homem que não atalhe.
Olhando daqui de fora,
Como se fora paisagem,
É tudo drama, suspense ou comédia:
É quase tudo personagem.
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