Soslaio
Quem sou eu
- Erivelto Reis - Poemas e Crônicas
- Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.
quarta-feira, 26 de junho de 2024
Poema: "Soslaio", de Erivelto Reis
Poema: "Epônimos", de Erivelto Reis
Epônimos
sábado, 25 de maio de 2024
Poema: "Tríade", de Erivelto Reis
Tríade
Erivelto Reis
Não nego que seja possível haver quem goste
De algo que perdeu ou de alguém que se foi
Com afinco sem precedentes
De intensidade, de paixão e de entrega
Em nada comparáveis
Ao aparato afetivo empregado
De quando os tivera.
Não nego que diante da ausência do ente amado
A pluralidade de respostas emocionais
Ao reconhecimento do amor que passou, findou,
Desistiu de esperar a reciprocidade idealizada e devida
Seja muito mais dramática e intempestiva
Em sua oferta de conexão, desejo e entrega.
É por haver uma capacidade de amar
Para além do amor, um amor pra depois,
Um pós-amor,
Diferente, em esmaecimento de autoestima, ao desamor
Que acredito que a perseverança para a ruína
De quem não reconheceria o amor
Nem se tropeçasse ou fosse atravessado por ele,
Mantém os ébrios vestidos de sóbrios,
Os alucinados céticos
Os artistas em crise criativa
Ou processos embricados de supercriatividade
E hiperbólica interpretação,
Os deprimidos mergulhados na melancolia do desespero.
Por haver quem só percebe valor na perda,
É que os poetas têm ou não têm emprego
É que os poetas têm e não tem paradeiro,
Amores, leitores e dinheiro.
terça-feira, 7 de maio de 2024
Poema: "Às vezes, as pazes", de Erivelto Reis
Às vezes, as pazes
Erivelto Reis
Deus, quando quer perdoar, não perdoa!
Ele enrola, disfarça, não trapaceia:
Pega um pouco mais de barro,
Faz um empanado com areia,
Tira uma costela do outro lado,
Deixa no presente o seu passado,
Põe tua alma velha num corpo diferente.
Não quer atrasar seu lado,
Mas quer te ver penitente.
Deus, quando quer perdoar,
Perdoa!
Mas implica pra cacete.
Te faz capinar um lote,
Te esconde um monte de macetes,
Te joga na beira do Rio,
Te faz remar contra a maré.
Põe os anjos aos teus pés,
Compreende os teus defeitos,
Mas te vicia em café.
Deus, se quiser, às vezes, perdoa!
Faz um rascunho pra tua vida nova,
Troca a tua pena com a de outra pessoa...
Deus é um sujeito magoado,
Deus é um indivíduo estressado,
Deus é um ser mal-humorado,
Deus não anda de bobeira,
Deus não virou deus à-toa.
Deus pode até querer te perdoar,
Mas, daí a dizer
Que vai tudo ficar de boa...
É conversa pra boi dormir,
Que não engana mais ninguém...
Deus tem os mesmos defeitos
Que qualquer ser humano tem.
sábado, 27 de abril de 2024
Poema: "Receita para entrar no Céu", de Erivelto Reis
Receita para entrar no Céu
Erivelto Reis
Não grite na porta,
Não questione deus, zeus, ateus
Semideuses ou alguém vestido de deus
Não chame por santos
Eles são quadros abstratos
Nas paredes de pó e nuvem
Não espere por milagres
Não diga que tem sede
Porque senão te dão um copo de vinagre
Fique afastado das grades, dos pátios
Dos átrios, no limiar do anonimato
Não tenha pressa
Porque te farão esperar
Por toda a eternidade.
Quem já lá esteja
Não brindará tua chegada
Não te oferecerá uma cadeira,
Um torresminho, uma cerveja
O céu é para os heróis,
Os faraós e os aerossóis
Que herdarão a Terra
Pois fizeram dela usucapião
E sabem que depois que ela sucumbir
O céu não vai fazer qualquer sentido.
No céu de faz de contas
Anjos e querubins
Se levantam enquanto passam
Os arcanos, os decanos e os chapolins
Enchem de ar e derrota os pulmões
E tocam os clarins
Para anunciar que algum daqueles deuses
Acabou de passar por ali.
Não reclame da falta de espaço,
Transparência e ética no recinto
Por qualquer coisa, um semideus se zanga
E o céu é Terra de quem só crê em si.
quarta-feira, 17 de abril de 2024
Poema: "Engulhos", de Erivelto Reis
Engulhos
Erivelto Reis
É gosmento o argumento dos hipócritas
São de pus as certezas do demagogo...
Tudo que eles falam talha,
Tudo o que fazem, jogo.
É metastática a sordidez dos canalhas
E seus ecrãs espelham suas taras.
Andam na rua,
Sempre à procura de defeitos
Que sirvam de álibis distrativos
Aos seus malfeitos...
São de carne morta a língua
E os ardis com que proferem certas frases...
É como úlcera, refluxo gástrico de monólogos
No palco do teatro de sua polidez de farsas.
Banem, discriminam... sequer suam,
Apertam a mão, enquanto rotulam,
Abraçam e mantêm perto pra punir.
Reagem, sorrateiros, emulando emoções
Qual malabares.
Não revelam a expressão real
De seus intentos mais profundos
São de pedra, incontornáveis desvalores,
Vomitam aspergindo seus engulhos.
domingo, 14 de abril de 2024
Poema: "Babilônia", de Erivelto Reis
Babilônia