
Quem sou eu
- Erivelto Reis - Poemas e Crônicas
- Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.
domingo, 8 de maio de 2011
Amigos queridos na XX Semana de Letras FEUC - parte 3
O grupo e professores e estudantes da Faculdade de Letras da UFRJ, Ronaldo Lima Lins e Cinda Gonda.Primitivo Paes e os professores da FEUC Prof. Mauro, Profª. Lia, Profª. Arlene e Prof. Erivelto

Amigos queridos na XX Semana de Letras da FEUC - parte 2
Amigos queridos na XX Semana de Letras da FEUC
Mãe: presente
MÃE: PRESENTE
Erivelto Reis
Que haja luz em todos os lares
Que haja felicidade em todos os corações
Que aqueles que recordam com saudade,
Tenham somente boas lembranças
E testifiquem com seu exemplo
O amor que receberam.
Que aqueles que estão separados
Pela distância, pelo orgulho
E pela falta de comunicação
Possam aproximar-se
Pelo carinho, pelo respeito e pelo amor.
Que possam ensinar a seus filhos,
Reproduzir em seus netos
O amor que trazem em seu coração.
Que, na ausência do presente, haja atitude
Que aqueles que presenteiam,
O façam com sentimentos nobres.
Que um olhar, um gesto e um toque
Não representem uma superação
E sim, uma continuidade.
Que haja verdade, ternura e emoção
Transparência, generosidade e união.
Sua mãe merece, você merece.
Ela ficará, ficaria e fica orgulhosa e agradecida...
Mãe é pra toda vida.
Erivelto Reis
Que haja luz em todos os lares
Que haja felicidade em todos os corações
Que aqueles que recordam com saudade,
Tenham somente boas lembranças
E testifiquem com seu exemplo
O amor que receberam.
Que aqueles que estão separados
Pela distância, pelo orgulho
E pela falta de comunicação
Possam aproximar-se
Pelo carinho, pelo respeito e pelo amor.
Que possam ensinar a seus filhos,
Reproduzir em seus netos
O amor que trazem em seu coração.
Que, na ausência do presente, haja atitude
Que aqueles que presenteiam,
O façam com sentimentos nobres.
Que um olhar, um gesto e um toque
Não representem uma superação
E sim, uma continuidade.
Que haja verdade, ternura e emoção
Transparência, generosidade e união.
Sua mãe merece, você merece.
Ela ficará, ficaria e fica orgulhosa e agradecida...
Mãe é pra toda vida.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Encerramento da XX Semana de Letras da FEUC
Oi Pessoal,
A Semana de Letras está chegando ao final de sua vigésima edição. Quero agradecer e parabenizar a todos que trabalharam em todos os segmentos para que o evento ocorresse. Aproveito para destacar o empenho e a participação dos alunos e dos monitores. Tivemos a presença de convidados muito importantes (aos quais, respeitosamente me dirijo, agradecendo e louvando seu talento, sua capacidade intelectual e o seu compromisso com a Educação e com a Cultura), palestras e debates com grandes qualidades, lazer e entretenimento, música, cinema e teatro, exposições de artes plásticas e a expressiva participação de alunos de outros cursos da Instituição que abraçaram a Semana de Letras 2011 e a tornaram inesquecível.
Posso afirmar que me senti muito feliz e orgulhoso de encontrar meus colegas e futuros colegas professores em momentos em que a pesquisa, a presença de palestrantes convidados e a participação dos professores da casa (sempre muito empenhados), em mais de 35 atividades, foram tão bem acolhidas e prestigiadas por nossos alunos.
Parabéns a todos e todas e à direção e aos demais setores da FEUC por apoioarem e incentivarem eventos como a XX Semana de Letras.
Atenciosamente
Erivelto Reis
A Semana de Letras está chegando ao final de sua vigésima edição. Quero agradecer e parabenizar a todos que trabalharam em todos os segmentos para que o evento ocorresse. Aproveito para destacar o empenho e a participação dos alunos e dos monitores. Tivemos a presença de convidados muito importantes (aos quais, respeitosamente me dirijo, agradecendo e louvando seu talento, sua capacidade intelectual e o seu compromisso com a Educação e com a Cultura), palestras e debates com grandes qualidades, lazer e entretenimento, música, cinema e teatro, exposições de artes plásticas e a expressiva participação de alunos de outros cursos da Instituição que abraçaram a Semana de Letras 2011 e a tornaram inesquecível.
Posso afirmar que me senti muito feliz e orgulhoso de encontrar meus colegas e futuros colegas professores em momentos em que a pesquisa, a presença de palestrantes convidados e a participação dos professores da casa (sempre muito empenhados), em mais de 35 atividades, foram tão bem acolhidas e prestigiadas por nossos alunos.
Parabéns a todos e todas e à direção e aos demais setores da FEUC por apoioarem e incentivarem eventos como a XX Semana de Letras.
Atenciosamente
Erivelto Reis
sábado, 23 de abril de 2011
Crônica: "BONOSSAURO" E O COICE DA ÉGUA HUMANA
“BONOSSAURO” E O COICE DA ÉGUA HUMANA
Erivelto Reis
Ah, “Abril Despedaçado”! Lembrei-me, durante todo o mês de abril de 2011, do título do livro de Ismail Kadaré, tornado um clássico do cinema nacional por Walter Salles. Esse mês de abril foi tão difícil, tão sofrido, tão doído... Tenho medo do mês de maio, do desmaio futuro, tenho saudades de março.
Não pretendia evocar as doloridas lembranças dos atos insanos que prometemos, ao longo dos anos, não mais esquecer. A dor do vizinho, a dor do outro, a dor no outro, não é adorno, não pode ser programa para entreter. Mas o fato é que fomos e estamos feridos. Ficamos abalados, ficamos exaltados, revoltados, possessos. A sombra do perverso invadiu a escola, se matriculou e por lá ficou, repetindo, repetindo... No dia sete ela se de-formou.
Pais, professores e alunos são pessoas; não números, não são estatísticas; estão do mesmo lado. O lado de fora do estado de direito, discutindo um jeito de entrar, de fato. Não basta supor-se dentro, não importa supor-se ouvido, acolhido, respeitado. Não que se diga e se aja como se fora ao contrário. Está na lei, no contrato, no imposto pago, no estatuto, na investidura, no diploma, só não está no ato.
A escola ensina grandes lições. Essa não foi diferente, só que machucou; só que marcou, porque não pode ser passada pra frente. Tem de ser enfrentada, evitada, modificada. Há um herói em cada sala, empunhando um giz; há um médico, um psicólogo, um assistente social, um representante do poder público; símbolo, tantas vezes, da única presença do poder público. Tudo isso inserido na figura de um professor ou professora, claro. Que professora é a docência com açúcar e com uma pitada a mais de amor. A sala de aula é um altar sacrossanto, um templo, um consultório, um escritório, um espaço democrático de produção de conhecimento. Não é só porta, janela, parede, cimento, esquecimento do mundo lá fora.
Chega de violência, de intransigência e de negligência. Isso é coisa do tempo dos dinossauros e dos “Bonossauros”. A violência é o coice da égua humana, não é bacana. Nada de desaforo, de desforra, de vingança, de arrogância, de prepotência e de omissão. Chega de discursos vazios, evasivos e condolentes na televisão. Isso é coisa que ninguém mais aguenta. “Quem do naufrágio sai a nado à praia, té na terra se teme da tormenta.”
Erivelto Reis
Ah, “Abril Despedaçado”! Lembrei-me, durante todo o mês de abril de 2011, do título do livro de Ismail Kadaré, tornado um clássico do cinema nacional por Walter Salles. Esse mês de abril foi tão difícil, tão sofrido, tão doído... Tenho medo do mês de maio, do desmaio futuro, tenho saudades de março.
Não pretendia evocar as doloridas lembranças dos atos insanos que prometemos, ao longo dos anos, não mais esquecer. A dor do vizinho, a dor do outro, a dor no outro, não é adorno, não pode ser programa para entreter. Mas o fato é que fomos e estamos feridos. Ficamos abalados, ficamos exaltados, revoltados, possessos. A sombra do perverso invadiu a escola, se matriculou e por lá ficou, repetindo, repetindo... No dia sete ela se de-formou.
Pais, professores e alunos são pessoas; não números, não são estatísticas; estão do mesmo lado. O lado de fora do estado de direito, discutindo um jeito de entrar, de fato. Não basta supor-se dentro, não importa supor-se ouvido, acolhido, respeitado. Não que se diga e se aja como se fora ao contrário. Está na lei, no contrato, no imposto pago, no estatuto, na investidura, no diploma, só não está no ato.
A escola ensina grandes lições. Essa não foi diferente, só que machucou; só que marcou, porque não pode ser passada pra frente. Tem de ser enfrentada, evitada, modificada. Há um herói em cada sala, empunhando um giz; há um médico, um psicólogo, um assistente social, um representante do poder público; símbolo, tantas vezes, da única presença do poder público. Tudo isso inserido na figura de um professor ou professora, claro. Que professora é a docência com açúcar e com uma pitada a mais de amor. A sala de aula é um altar sacrossanto, um templo, um consultório, um escritório, um espaço democrático de produção de conhecimento. Não é só porta, janela, parede, cimento, esquecimento do mundo lá fora.
Chega de violência, de intransigência e de negligência. Isso é coisa do tempo dos dinossauros e dos “Bonossauros”. A violência é o coice da égua humana, não é bacana. Nada de desaforo, de desforra, de vingança, de arrogância, de prepotência e de omissão. Chega de discursos vazios, evasivos e condolentes na televisão. Isso é coisa que ninguém mais aguenta. “Quem do naufrágio sai a nado à praia, té na terra se teme da tormenta.”
sábado, 19 de março de 2011
Crônica: Uma lição passageira ou "Tenente Gato Preto"
Uma lição passageira ou "Tenente Gato Preto"
Erivelto Reis
Dormir no ônibus é coisa que quase todo mundo faz. Algo como simpatia, garrafa pet, com água salgada, sobre o relógio marcador da luz, olhar o horóscopo de soslaio e pensamento positivo ao sair de casa. Pois o caso é que, nesse dia, eu dormia no ônibus e, ao meu lado, como eu constatei, ao ser acordado por ele, sentou-se um senhor.
O senhor que se sentou ao meu lado, ao perceber que eu despertara do meu sono-túmulo, surgido das profundezas dos estresses cotidianos dos passageiros cansados, solitários e resignados que trabalham pela melhoria, evolução e redenção de suas vidas, como fazem todas as pessoas em filas de banco e em salas de espera, conversou comigo. Mas esse era diferente: esse perguntou se poderia falar, se eu poderia ouvi-lo. Coisa que nem todo mundo faz. Quer dizer, as pessoas, em geral, já chegam falando, despejando angústias, opiniões, informações, frustrações e finais felizes, modificados pela imaginação e pela memória. Talvez esse fosse o caso, talvez esse fosse seu ocaso.
O ilustre passageiro, decerto, achou-me muito faceiro, e apresentou-se. Foi educado como gente que espera um lugar num céu; foi sincero, como se soubesse que não haveria vaga e contou-me, nos próximos trinta minutos, decorridos a partir dali, a história da sua vida. Como se fosse um livro que caísse aberto e deixasse ler, nas páginas impressas, justamente a retrospectiva que explica a história.
Não me recordo de seu nome, mais sei que seu codinome, seu nome de guerra, (sem aspas, porque, segundo o próprio, ele esteve lá) era “Tenente Gato Preto”. Soube que era médico, engenheiro, farmacêutico, exotérico e professor. Palestrante, católico, militante, pugilista e escritor. Militar do exército, da marinha, do serviço secreto e da aeronáutica. Padrinho do filho do ministro, primo do amigo do general, motorista do marechal, vigia da catedral. Soube que tomou Monte Castelo com a faca nos dentes, que comeu carne humana, italiana, culinariteralmente.
Ah, “Tenente Gato Preto”, tudo isso, assim enumerado, como lista de supermercado, pode não dar a devida dimensão do quanto o senhor me deixou bem impressionado. Ouvi suas histórias, de sorte, de morte, de vida sem norte, de orgulho, mergulho no poço obscuro da esperança e da obstinação. Palavras vindas da desinibição de quem parecia não ter vergonha das fantasias e das lembranças que trazia, guardadas no coração.
O senhor reclamou da política, da pobreza e da poluição. Disse que, apesar de ter ido à guerra, seu corpo jamais tivera nem marcas de injeção. E nesses breves momentos, deixou-me, de presente, uma lição de humanidade. Em seus olhos eu vi grandeza e dignidade; coisas que a humanidade, às vezes, parece conhecer só de passagem. Seus olhos brilhavam ao refletir o conteúdo guardado no baú de suas recordações, repleto de discutível, duvidoso e valioso tesouro, que vale mesmo pela emoção que evoca e pela reflexão que sugere: a de que um único dia pode servir como tema de um belo romance e que uma vida inteira, mesmo narrada em prece, dependendo de quem a escreve, pode não servir para produzir, sequer, uma única crônica que preste.
Erivelto Reis
Dormir no ônibus é coisa que quase todo mundo faz. Algo como simpatia, garrafa pet, com água salgada, sobre o relógio marcador da luz, olhar o horóscopo de soslaio e pensamento positivo ao sair de casa. Pois o caso é que, nesse dia, eu dormia no ônibus e, ao meu lado, como eu constatei, ao ser acordado por ele, sentou-se um senhor.
O senhor que se sentou ao meu lado, ao perceber que eu despertara do meu sono-túmulo, surgido das profundezas dos estresses cotidianos dos passageiros cansados, solitários e resignados que trabalham pela melhoria, evolução e redenção de suas vidas, como fazem todas as pessoas em filas de banco e em salas de espera, conversou comigo. Mas esse era diferente: esse perguntou se poderia falar, se eu poderia ouvi-lo. Coisa que nem todo mundo faz. Quer dizer, as pessoas, em geral, já chegam falando, despejando angústias, opiniões, informações, frustrações e finais felizes, modificados pela imaginação e pela memória. Talvez esse fosse o caso, talvez esse fosse seu ocaso.
O ilustre passageiro, decerto, achou-me muito faceiro, e apresentou-se. Foi educado como gente que espera um lugar num céu; foi sincero, como se soubesse que não haveria vaga e contou-me, nos próximos trinta minutos, decorridos a partir dali, a história da sua vida. Como se fosse um livro que caísse aberto e deixasse ler, nas páginas impressas, justamente a retrospectiva que explica a história.
Não me recordo de seu nome, mais sei que seu codinome, seu nome de guerra, (sem aspas, porque, segundo o próprio, ele esteve lá) era “Tenente Gato Preto”. Soube que era médico, engenheiro, farmacêutico, exotérico e professor. Palestrante, católico, militante, pugilista e escritor. Militar do exército, da marinha, do serviço secreto e da aeronáutica. Padrinho do filho do ministro, primo do amigo do general, motorista do marechal, vigia da catedral. Soube que tomou Monte Castelo com a faca nos dentes, que comeu carne humana, italiana, culinariteralmente.
Ah, “Tenente Gato Preto”, tudo isso, assim enumerado, como lista de supermercado, pode não dar a devida dimensão do quanto o senhor me deixou bem impressionado. Ouvi suas histórias, de sorte, de morte, de vida sem norte, de orgulho, mergulho no poço obscuro da esperança e da obstinação. Palavras vindas da desinibição de quem parecia não ter vergonha das fantasias e das lembranças que trazia, guardadas no coração.
O senhor reclamou da política, da pobreza e da poluição. Disse que, apesar de ter ido à guerra, seu corpo jamais tivera nem marcas de injeção. E nesses breves momentos, deixou-me, de presente, uma lição de humanidade. Em seus olhos eu vi grandeza e dignidade; coisas que a humanidade, às vezes, parece conhecer só de passagem. Seus olhos brilhavam ao refletir o conteúdo guardado no baú de suas recordações, repleto de discutível, duvidoso e valioso tesouro, que vale mesmo pela emoção que evoca e pela reflexão que sugere: a de que um único dia pode servir como tema de um belo romance e que uma vida inteira, mesmo narrada em prece, dependendo de quem a escreve, pode não servir para produzir, sequer, uma única crônica que preste.
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