Breve e Incompleta Cartografia de Afetos pelos Talentos da Zona Oeste do Rio de Janeiro
Erivelto Reis
Para Eleonora Ziller e os/as estudantes bolsistas e participantes do Projeto de Extensão Literatura, Memória e Território da Faculdade de Letras da UFRJ
Amanhã (05/11/2026) estarei
na Faculdade de Letras da UFRJ, a convite do Projeto de Extensão Literatura,
Memória e Território (Lembrar/UFRJ), para participar do I Encontro Literário da
Zona Oeste Carioca. Trata-se de um trabalho de extrema importância, coordenado
pela querida mestra Eleonora Ziller e conduzido com muita competência e
entusiasmo pelos supercomprometidos alunos e alunas da graduação: Miguel
Marques, Anna Gutierres, Amanda Barros, Cintic Correa, Thainá Martins, Raquel
Santana, Natália da Cruz, Talita Correa, Mell Antunes, Giovanna Azevedo, Lucca
Covinha e Eliara Tavares.
Nos dois dias
do Encontro, haverá mesas temáticas resgatando nomes incontornáveis da Poesia,
da Literatura, da Cultura e da Arte da Zona Oeste. Cito especialmente o
memorialista e escritor de Guaratiba, o maravilhoso Francisco Alves Siqueira
(autor, entre tantas obras, de O Carretel e o Peniquinho, livro que
despertou o interesse e ajudou a alfabetizar meu filho do meio) e o
inesquecível Primitivo Paes, de quem falarei brevemente.
Importantes
figuras da cena cultural campo-grandense marcarão presença — como o próprio
Instituto Campograndense de Cultura, representado por Odaléa Ranauro e Bruno
Ferrari —, além de André Luís Mansur, Silmo Prata (Coletivo Cultural do Rio da
Prata), Cimara Mattos (Ecomuseu de Santa Cruz) e Dilma Barrozo (da ALAZO),
entre novos e diversos expoentes da cena artística e intelectual da região.
Em toda a Zona
Oeste existem e trabalham — muitas vezes sem apoio institucional e valendo-se
de recursos próprios — centenas de artistas, técnicos, produtores culturais,
artistas plásticos, atores, atrizes, músicos, cantores, cantoras, ilustradores,
designers, escritores, escritoras, poetas, comunicadores e jornalistas. Há
ainda criadores de conteúdo digital e memorialistas: gente que fala do dia a
dia da região, gente que resgata fotos, imagens e informações valiosas sobre os
bairros locais. Todo esse contingente criativo e dinâmico, empreendedor e
abnegado, se organiza em coletivos ou faz, individualmente, um dedicado
"trabalho de formiguinha" ou de "beija-flor apagando
incêndio" em prol da Arte e da Cultura.
Estive
presente, dialoguei, coordenei grupos e ajudei a abrir espaço para homenagens e
reconhecimento na faculdade em que trabalhei e fui coordenador de Núcleo, por
meio de ações marcantes — especialmente ao lado do meu querido amigo Primitivo
Paes e de pessoas que se tornaram minhas amigas diletas, pelas quais tenho
profundo respeito e admiração.
Também é
necessário reconhecer que pode ocorrer a esse tipo de efervescência artística,
cultural e intelectual um certo movimento autofágico interno, sobretudo pela
sobreposição de atividades e interesses. No entanto, acompanhando hoje mais à
distância, vejo que esse desafio tem sido amenizado pela nova geração de
coordenadores, pela mentalidade das pessoas, pelo acesso à informação e à
formação, e pelo aprendizado construído com as dificuldades do passado. Ainda
assim, o poder público permanece inerte diante de todas essas pessoas
talentosíssimas que fazem a arte e a cultura florescerem na Zona Oeste (salvo
raras exceções que confirmam a regra). A escritora e minha amiga Nancília foi
uma grande batalhadora pela institucionalização dessas vocações como política
pública municipal.
Vale registrar
nomes importantes com os quais tive contato e que fazem parte dessa trajetória: Marly Monte (e o grupo fundador do Circuito
Literário, bem como seus membros ao longo dos anos), Dalberto Gomes (o fenômeno
Bar 51 no Teatro Arthur Azevedo), Américo Mano, Rita Gemino (Prêmio FEUC de Literatura, em nível nacional), Hugo
Gruenwald e Daysi Melo (Ciranda Cultural), Lenita Holtz, Alexandre Damascena,
Nilton Silva, J. J. Germano, Gladstone Silva, Dartagnan Holanda e Carlota
Duarte (primeiros anos do Bom Dia Poesia), Demétrius Gomes, Tuninho de
Lita, José Américo, Rinaldo Leite, Marcos Damasceno, Fernando Teixeira, Silvia
Fernandes, Renato Reis, Sílvio Alves, Dilson Ribeiro, Maurício Osborne, Flávio
Oliveira, Paulinha Machado, Suelen Domingos Lux, Nilson da Silva, Elba Gaya, Wagner Alexandre (da UFRRJ), Bruna Rodrigues, Fábio Coutinho, Regina Celli, Rosemary Affonso (da UFRRJ), Ana Crélia (da UFRJ), Francisco Barbosa (radialista), João Jardim (cineasta/documentarista), Luiz FernandoVianna, Nilce Masson, Matheus Machado, Lybia Oliveira, Aline Santana, Adriana Silva, Rodrigo Torres, Solange Gomes, Raíssa Rizetto, André Germano, Gustavo Ferreira, Renata Tavares, Renata Viana, Selma Dias, Ramayana Del Secchi, Marcia Soares Scimmi, Isla Emigdio, Naira Veríssimo, Roberto Lincoln, Valeska Cabral, Caetana Dias, Elza
Maria Fraga e Sérgio Alves e, todos/as os/as alunos/as que tive, que orientei ao longo dos anos.
É inegável o
trabalho que todas as escolas, diretores e diretoras escolares, coordenadores e
coordenadoras, agentes culturais, professores e professoras exercem na formação
cultural e artística da população da Zona Oeste. Bem como os grupos de teatro,
de dança, as escolas e os professores e professoras de música, e a Associação
Comercial e Industrial de Campo Grande, Santa Cruz e Bangu. Destaca-se o
importante trabalho que as CRES, as Metros e as Bibliotecas Públicas realizam
em prol da capilarização cultural e da aproximação com os artistas locais,
especialmente a de Campo Grande, Manuel Ignácio de Alvarenga — coordenada com
muito carinho e profissionalismo pela minha querida amiga Pituka Nirobe —, a
Biblioteca Comunitária José Vieira Filho (na Ilha de Guaratiba, coordenada
pelos queridos amigos Iêda Thomé e Cid Thomé) e o trabalho imprescindível da
Associação Vida Feliz.
Trata-se de um
lugar que deu ao Brasil o Teatro Rural do Estudante, com minha amada amiga
Dineyar Valente Plaza e o querido Rogério Fróes, além de Weber Werneck. Uma
terra que, indo muito além da vocação agrícola dos hortifrutigranjeiros e do
antigo ciclo das laranjas e do matadouro imperial, produziu obras
cinematográficas fundamentais como As Aventuras Amorosas de um Padeiro,
do querido Waldir Onofre.
Um território
que contou com a contribuição de Mestre Saul, Vilma Camarate, Adelino Moreira,
Bachulma Valtazema, Ives Macena, Regina Pierini, Elton Veloso, Jair Tavares,
Roberto de Regina, Aluízio Resende, João Roberto Sobral, José Maria, Francisco
Nagen, Alcir Pimenta, Moacyr Bastos, Fátima Oliveira, Gê Colibri e Odir Ramos.
Que abriga o
Ecomuseu em Santa Cruz, a primeira Lona Cultural (em Campo Grande), o Teatro
Arthur Azevedo e um centro esportivo de nível internacional como o Miécimo da
Silva, além da Acadêmicos de Santa Cruz, do Bangu Atlético Clube, do Sereno de
Campo Grande e de tantas figuras incríveis que por ali passaram. Um cenário que
projetou talentos de destaque internacional, como Néris Cavalcante, Willian
Vita, Júlio Corrêa, a família Assad, Clécio Régis, Jerry Cariry, Will Tom
(ator, cantor, produtor, escritor e professor que conhece como poucos o cenário
local e coordena, com Mário Ceita, a pujante Confraria dos Artistas Absurdos) e
Lincoln Pereira.
E o que falar
dos professores e professoras que unem a formação acadêmica aos seus talentos
artísticos? Roberto Rodrigues, campo-grandense, é o atual Reitor da
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), uma das mais importantes
instituições do país. Marcos Pasche, também campo-grandense, atua como
Pró-Reitor de Extensão da UFRRJ em um trabalho incrível de abertura
universitária, com foco na educação básica e no acesso ao ensino superior. O
professor Amílcar Araújo Pereira, da Faculdade de Educação da UFRJ, estudou no
Colégio Municipal Almirante Saldanha. O querido professor Alcmeno Bastos, de
Literatura Brasileira da UFRJ, lecionou no início da carreira na E. M. Charles
Dickens. Jorge Vicente Valentim, da UFSCar, lecionou na região. Alguns dos atuais
técnicos esportivos, comentaristas e atletas do país estudaram na Universidade
Castelo Branco.
Nossa formação
cultural e intelectual deve muito a nomes como Cícero César, Flávio Pimentel,
Umberto Eller, Lya Martins, Artur Sérgio Lopes, Tatiana Reis, Mauro Ferreira, Carlos César, Miriam
Dolzani, Nathalia Rodrigues, Jane Souza, Cléber Amaral, Gabriela Barbosa, Rosana Benatti, Luiza Alves (professora da UFRRJ), Maria Teresa,
Miguel Louro, Suely Moura, Lídia Conceição, Sandra Guimarães, Solange
Guimarães, Miriam Malafaia, Marco Antonio Chaves, Gilda Batista, Simone Batista
(da UFRRJ), além da saudosa amiga e professora universitária da UFRRJ Mirian da
Silva Pires (de Santa Cruz) e dos saudosos Alzir Fourny Marinhos, Aparecida
Tiradentes, Mauro Lopes, Caroline Reis, Isaac Gayer e Luís Henrique.
O trabalho dos professore e professora tem sido expressivo e relevante e oxigena o trabalho de formação de público e de letramento intelectual de alunos e alunas em todos os segmentos. Somam-se a esse ecossistema pluricultural nomes como os de Rojane Dib, Irene Vianna, Janice Souza, Bentaci Benac, Anderson Vieira, Elany Brabo, Márcia Vasconcelos, Beatriz Martins, Nívia Pombo (da UERJ), Jayme Ribeiro (IFRJ), Luís Mendes, Danielle Menezes (da UFRJ), Manuel Alvarez, Valdemar Ferreira, Oswaldo Bendelack, Deivson Carvalho, Jaqueline Escobar, Carlos Alberto Monteiro, Wolney Malafaia, Zoraia Araújo, Lucy Julião e Renata Gomes. Gente que atua, nasceu, ou trouxe para a Zona Oeste, em algum momento, a qualidade de seu trabalho e de sua formação.
No ano de
2025, contamos ainda com a presença do imortal da ABL e Professor Emérito da
UFRJ Godofredo de Oliveira Neto, e da Professora Titular da Faculdade de
Educação da UFRJ e poeta Anabelle Loivos no mais antigo festival estudantil de
poemas do Brasil. Lembramos com reverência da saudosa professora Hilma Ranauro,
da Universidade Federal Fluminense, que atuou na educação da Zona Oeste por
muitos anos. Na UFMG, destaca-se o querido amigo, poeta e escritor Leandro
Garcia Rodrigues, professor de Literatura Brasileira, oriundo de Santa Cruz.
Da Zona Oeste
saíram grandes sucessos da MPB — Negue (de Adelino Moreira), diversas
canções de Nelson Gonçalves, O Moleque Tá Aí pela Cidade (de Luiz Guima)
e Luzes da Avenida, sucesso da Jovem Guarda (composta por Osni Vidreiro)
—, além de clássicos populares de Alípio Martins, Fernando Lélis e Genival
Santos (a quem conheci pessoalmente, pois meu pai foi jardineiro de sua casa e
ele chegou a nos visitar quando nos mudamos para o sítio). O famoso Palhaço
Carequinha fez uma de suas últimas apresentações públicas no Shopping Passeio,
em uma das muitas e importantes exposições fotográficas produzidas por Malu
Ravagnani e Hélcio Peynado.
Os principais
nomes do teatro e da música popular brasileira já se apresentaram no bairro (na
Lona Cultural, no Teatro Arthur Azevedo e no pequeno auditório do Rotary na Rua
Pontes Leme), de Fernanda Montenegro a Roberto Carlos. Na região, músicos e
compositores impulsionam a formação musical, trabalham na noite, gravam jingles
e de faixas de demonstração a álbuns inteiros para cantores e cantoras. Temos
ainda comunicadores, na melhor tradição do pioneiro Almir Rangel, como o querido
professor João Ricardo; e radialistas e locutores que mantêm vivas as raízes da
nossa linguagem, modernizando-a com humor, talento, empatia e criatividade.
Intelectuais,
políticos, agentes de segurança pública de destaque, empreendedores e
trabalhadores do comércio, da indústria, dos serviços, do direito, da medicina,
da engenharia, do jornalismo, da psicologia e da inovação construíram, com sua
visão de integrar tradição e modernidade, o que a Zona Oeste é hoje — alguns
mais lembrados, outros injustamente esquecidos. Daí a relevância de um projeto
de extensão como este: levar a Zona Oeste para a UFRJ, reconhecer seus talentos
e mapear a cartografia de sua gente, de sua história, de seus artistas e de
seus afetos.
O I Encontro
promovido pela UFRJ abre um espaço fundamental para novos talentos, vozes
emergentes e perspectivas múltiplas sobre a região. Trata-se de um passo plural
para a compreensão desse ecossistema cultural, artístico e intelectual e um
convite para que grupos e coletivos avancem rumo ao fortalecimento
institucional, ao acesso ao Terceiro Setor e à participação em editais públicos
de fomento.
A pesquisa, a
análise documental e os testemunhos finalmente sinalizam o que quem vive ou
viveu a Zona Oeste já sabe na prática: a Zona Oeste é o centro, não a margem. A
ausência de políticas públicas descentralizadas e a concentração de fomento no
Centro e na Zona Sul é que criam essa falsa impressão de periferia que,
associada aos desmandos políticos e socioeconômicos, produz um retrato que não
condiz com o talento e a capacidade de seus trabalhadores e trabalhadoras, de
seus artistas e intelectuais. A engenheira civil Elza Pinho Osborne reconheceu
essa centralidade e fez importantes obras para que Campo Grande e os bairros da
Zona Oeste tivessem melhores condições para sua população, seus estudantes e
seus artistas. Igual trabalho e empenho tiveram Moacyr Bastos, Miécimo da
Silva, Alcir Pimenta, Raul Cappelo Barrozo, Francisco Freire Allemão de
Cysneiros, Benjamim Antônio da Rocha Faria, Alim Pedro, Francisco Gonçalves de
Vasconcelos, Júlio Cesário de Melo, Marechal Villagran Cabrita e Victor Konder,
cada qual em sua época, com sua trajetória ligada à Zona Oeste e com sua
importância em diferentes segmentos da atividade humana.
A Zona Oeste
ocupa posição central no esporte, no comércio, na indústria, nos serviços e na
educação. Basta lembrar das instituições e marcos locais: Instituto Sarah
Kubitschek, Colégio Miécimo da Silva, E. M. Jair Tavares, Colégio Raja
Gabaglia, Colégio Nossa Senhora do Rosário (sede do festival estudantil de
poesia mais antigo do país), Colégio Monteiro Lobato, Colégio Padre Belisário,
Colégio Venezuela, Colégio Campo Grande, os CIEPs por toda a região (como o
CIEP Albert Sabin), E. M. Rosária Trota, E. M. Raimundo Correia, E. M. George
Washington (onde iniciei minha vida escolar) e E.M. Almirante Saldanha, entre
tantos outros colégios; a Unidade do Colégio Pedro II em Realengo; além das
faculdades e universidades FAMA, FEUC, Moacyr Bastos, UERJ, Castelo Branco e
Faculdade São José.
Essa história
vem de longe: de Ítalo Del Cima, Miécimo da Silva e Moacyr Bastos; dos
fundadores da FEUC; de Adelino Moreira e do ICC; do Teatro Rural do Estudante;
da implantação das Lonas Culturais e do desenvolvimento da indústria e do
comércio. A moeda nacional já foi impressa na Zona Oeste; uma das maiores
fábricas de pneus do mundo e uma das maiores indústrias de bebidas (Ambev)
estão sediadas aqui; uma das maiores e mais luxuosas salas de cinema do país
ficava no bairro (o Cine Palácio Campo Grande); a novela O Bem-Amado e a
célebre adaptação do Sítio do Pica-Pau Amarelo foram gravadas na região;
e o Sítio Roberto Burle Marx, referência mundial em paisagismo, também se
encontra aqui. Além disso, Campo Grande foi o marco inicial do projeto da Via
Dutra (antiga Estrada Rio–São Paulo), abrindo caminho para o desbravamento da
Baixada Fluminense e, posteriormente, servindo como um dos principais acessos à
UFRRJ.
Parabenizo à
mestra Professora Dra. Eleonora Ziller, ao Miguel Marques, à querida Cintic (com quem tive maior
contato durante o processo) e todos e todas que integram o Lembrar/UFRJ por
esta iniciativa. Agradeço a oportunidade e deixo meu abraço fraterno aos
participantes das mesas temáticas, saraus e comunicações. Saúdo também a
memória de quem nos precedeu nessa caminhada, desejando que todos e todas —
mesmo os não citados nominalmente — se sintam reconhecidos e abraçados.
É importante
cuidar do Povo, cuidar da Democracia, da Liberdade, e valorizar os/as professores/as,
a Pesquisa, a Ciência, a Extensão Universitária, os/as Artistas e os/as Intelectuais. Manter as Universidade abertas, receptivas,
democráticas e socialmente referendadas é um pilar importantíssimo para as
melhorias de que a sociedade precisa e pelas quais aguarda: justiça, ética e
equidade. Talento não nos falta; vontade de trabalhar e competência para
ensinar e aprender nós temos. É preciso, no entanto, mitigar o que nos divide,
separa, desmobiliza e tenta nos inferiorizar ou nos rotular de forma preconceituosa e superficial. Que possa haver novos encontros e
que as Universidades, Institutos e Colégios federais — bem como todas as nossas
instituições de ensino em todos os segmentos —, valorizem e acolham seus/suas estudantes, professores/as e servidores/as. Que a UFRJ, casa da qual sou egresso no
Programa de Letras Vernáculas e na qual fui professor na Faculdade de Educação,
continue sendo um farol para o nosso país.


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