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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Poema: "Círculo", de Erivelto Reis

CÍRCULO
Erivelto Reis
Para meus alunos e alunas que se formam nesse semestre
Não vou me despedir de nenhum alunoalado,
De nenhuma alunaencantada.
Vou encontrá-los e encontrá-las
Logo ali – na vida, na virada.
Trabalhando, criando, fazendo sonhar!
Motivando novas formas de ser e de pensar.
Pra que irei me despedir
De quem jamais irá partir daqui,
De mim?!
Estaremos juntos, perto, unidos...
Assim espero.
Nada de reencontros, pois não estaremos separados.
Não vou me despedir de nenhum (a), de ninguém,
Alunoalado, alunaencantada:
São encantadora gente do bem.
Sua luta, repleta de desafios e vitórias,
É apenas mais uma página da Literatura da vida,
Da História...
Somos idealistas, mas também realizamos com palavras,
Suor, reflexão e labor...
O místico enredo de uma narrativa de amor!
De um poema romântico, moderno, talvez até barroco...
Surreal, misteriosamente lúcido e louco!
No que tem de viagem, chegada e recomeço e partida.
Não vou me despedir de nenhum aluno/aluna!
Eles e elas vão junto comigo,
São meus amigos (as), não meus/minhas discípulos (as),
Nessa caminhada
Que desenha as linhas da Vida.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

POEMA: "CANDIDO", de Erivelto Reis

CANDIDO
Erivelto Reis

É inútil tentar combater a morte com a Literatura?
A essa altura de nossa jornada,

Nesse trecho de nossa aventura...
A coisa toda já devia estar
Desmistificada.
Mas a ficção do improvável do mundo
É que a vida acaba, 
É que a personagem
Só se torna herói,
Se o seu destino
Maltratá-la...
Se suas palavras ecoarem,
De seu ato de criar,
Até o tempo em que sua teoria
Perdurar.
De integridade, ética e talento:
Fórmula mágica que o mundo persegue,
Faz-se o mítico reino dos gênios,
E das incríveis ideias que o habitam...
Porquanto tudo quanto um mestre representa!
Não é preciso tentar combater a morte com a Literatura!
Literatura é Arte,
É o Olimpo no qual a morte não entra.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Poema: "As Redes Tristes de Meu Pai", Erivelto Reis

“AS REDES TRISTES DE MEU PAI”
Para meu pai e para o pai de Cícero César, onde ele estiver.

Erivelto Reis

Cada distância
Ensina um sentimento
Que transcende o momento do efêmero.
Sempre lembro, com a reverência,
Daqueles que experimentaram
O destino que é de todos
E que sei: aguarda-me.
Quisera voltar no tempo,
A tempo de conhecer-te.
Quisera merecer
Tua lembrança, tua caneta,
As redes tristes com que
Embalavas a criança
Que jamais fui...
Há um silêncio ressentido entre nós,
Um chão que se abriu em cratera,
Um terremoto de emoções não vividas...
Há vida enquanto se espera a vida?
Ou um hibernar profundo
De sentir em todo mundo...
Quanta lava, quanto lodo,
Quanto limo, quanto mofo...
Nos livros não lidos,
Nos abraços negados,
Nos morcegos da memória no forro.
A letra que brotou de tuas mãos,
O afago que morreu sem ter sido dado,
Explicam meu semblante,
Minha expressão de espanto:
As cartas que vasculho,
Que ora produzem doutores,
Ora horrores, ora escombro! –
Véspera adiada de entulho.
Embala a rede, meu pai...
No teu mais longínquo sorriso,
Ao perceber que eu caminhara
Sobre meus próprios tropeços.
Gostavas de ser como eu era
Gostaria de ser quem tu foste.
Nenhum de nós negava,
Nenhum de nós sabia:
O mundo acabava às seis
E já passava do meio dia.


domingo, 30 de abril de 2017

Poema: "Tento", de Erivelto Reis

Tento
Erivelto Reis

Não é nem de longe uma revolução
Não chega aos pés de uma revelação
Não é ao menos um relato
Nem ao menos é um fato
É apenas a publicação
Da violência de que és capaz
Homeopática violência
Tornada conhecida
É apenas a impressão
Do que tens nas entranhas
Tua força jamais me foi estranha
Tua fraqueza é dissimulá-la.
Teu controle não está perdido
No sofá da sala – capacho de tapete na porta
Camuflagem de café requentado
É a bela xícara que o comporta.
Não é nem de longe uma revolução
Não chega aos pés de uma revelação
Não é ao menos um relato
Nem ao menos é um fato
É apenas a publicação
Da violência de que és capaz
Toma tento!

Tenta, rapaz.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Poema: "Ribalta", de Erivelto Reis

Ribalta
Erivelto Reis

É preciso valorizar,
Todo dia, ao que mais amamos.
Esse ato requer honrar
Aos que mais amamos...
Encontrar
A motivação necessária,
Em nossa própria existência,
Para olhar,
Com respeito, cordialidade,
Transparência.
(Arremedo de persistência),
Consciência de que quando e se
Talvez acabar...
O bom do outro e do que houve
Haveremos de lembrar.
Esse ensaio excede a nossa
Capacidade de dimensionar
Quem somos.
Essa força deve vir de nós:
Indicará, ainda que entre brumas,
O lugar pra onde iremos.
É preciso ensaiar pra ser sempre um pouco mais
Todo dia...
Ainda quando julguem
Que sejamos menos.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Poema: "Tabuleta", de Erivelto Reis

TABULETA
Erivelto Reis


Senhores deste mundo,
Que o tornam vil e mal,
E violento e boçal
Para impor suas receitas
De remédios
De torpor.
Que ameaçam,
Amordaçam,
E agridem trabalhadores e trabalhadoras,
Tirando nossos direitos,
E a oportunidade de sonhar.
Que tornam escravos nossos sonhos,
Nossa rotina,
E viciam o jeito de olhar o mundo e o outro.
Só tenho uma coisa a dizer-lhes:
Vão todos tomar cautela!
Vão todos tomar cuidado!
Que o povo não é o gado,
Pra ser espremido em cancela.
A revolução se avizinha,
E a Escola, destruída como entidade,
Renascerá das cinzas...
Não sucumbirá.
A nova sociedade marchará por justiça,
Igualdade e voz.
Senhores deste mundo,
Não estejais tranquilos,
Não profirais mentiras,
Que tudo no mundo sempre passa,
Que a sua roda da sorte um dia muda,
No mesmo compasso em que a Terra gira.