Quem sou eu
- Erivelto Reis - Poemas e Crônicas
- Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.
sábado, 20 de maio de 2017
sexta-feira, 12 de maio de 2017
POEMA: "CANDIDO", de Erivelto Reis
CANDIDO
Erivelto Reis
É inútil tentar combater a morte com a Literatura?
A essa altura de nossa jornada,
Nesse trecho de nossa aventura...
A coisa toda já devia estar
Desmistificada.
Mas a ficção do improvável do mundo
É que a vida acaba,
É que a personagem
Só se torna herói,
Se o seu destino
Maltratá-la...
Se suas palavras ecoarem,
De seu ato de criar,
Até o tempo em que sua teoria
Perdurar.
De integridade, ética e talento:
Fórmula mágica que o mundo persegue,
Faz-se o mítico reino dos gênios,
E das incríveis ideias que o habitam...
Porquanto tudo quanto um mestre representa!
Não é preciso tentar combater a morte com a Literatura!
Literatura é Arte,
É o Olimpo no qual a morte não entra.
A essa altura de nossa jornada,
Nesse trecho de nossa aventura...
A coisa toda já devia estar
Desmistificada.
Mas a ficção do improvável do mundo
É que a vida acaba,
É que a personagem
Só se torna herói,
Se o seu destino
Maltratá-la...
Se suas palavras ecoarem,
De seu ato de criar,
Até o tempo em que sua teoria
Perdurar.
De integridade, ética e talento:
Fórmula mágica que o mundo persegue,
Faz-se o mítico reino dos gênios,
E das incríveis ideias que o habitam...
Porquanto tudo quanto um mestre representa!
Não é preciso tentar combater a morte com a Literatura!
Literatura é Arte,
É o Olimpo no qual a morte não entra.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Poema: "As Redes Tristes de Meu Pai", Erivelto Reis
“AS REDES TRISTES DE MEU PAI”
Para meu pai e para o pai de Cícero César, onde ele estiver.
Erivelto Reis
Cada distância
Ensina um sentimento
Que transcende o momento do efêmero.
Sempre lembro, com a reverência,
Daqueles que experimentaram
O destino que é de todos
E que sei: aguarda-me.
Quisera voltar no tempo,
A tempo de conhecer-te.
Quisera merecer
Tua lembrança, tua caneta,
As redes tristes com que
Embalavas a criança
Que jamais fui...
Há um silêncio ressentido entre nós,
Um chão que se abriu em cratera,
Um terremoto de emoções não vividas...
Há vida enquanto se espera a vida?
Ou um hibernar profundo
De sentir em todo mundo...
Quanta lava, quanto lodo,
Quanto limo, quanto mofo...
Nos livros não lidos,
Nos abraços negados,
Nos morcegos da memória no forro.
A letra que brotou de tuas mãos,
O afago que morreu sem ter sido dado,
Explicam meu semblante,
Minha expressão de espanto:
As cartas que vasculho,
Que ora produzem doutores,
Ora horrores, ora escombro! –
Véspera adiada de entulho.
Embala a rede, meu pai...
No teu mais longínquo sorriso,
Ao perceber que eu caminhara
Sobre meus próprios tropeços.
Gostavas de ser como eu era
Gostaria de ser quem tu foste.
Nenhum de nós negava,
Nenhum de nós sabia:
O mundo acabava às seis
E já passava do meio dia.
domingo, 30 de abril de 2017
Poema: "Tento", de Erivelto Reis
Tento
Erivelto Reis
Não é nem de longe uma revolução
Não chega aos pés de uma revelação
Não é ao menos um relato
Nem ao menos é um fato
É apenas a publicação
Da violência de que és capaz
Homeopática violência
Tornada conhecida
É apenas a impressão
Do que tens nas entranhas
Tua força jamais me foi estranha
Tua fraqueza é dissimulá-la.
Teu controle não está perdido
No sofá da sala – capacho de tapete na porta
Camuflagem de café requentado
É a bela xícara que o comporta.
Não é nem de longe uma revolução
Não chega aos pés de uma revelação
Não é ao menos um relato
Nem ao menos é um fato
É apenas a publicação
Da violência de que és capaz
Toma tento!
Tenta, rapaz.
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Poema: "Ribalta", de Erivelto Reis
Ribalta
Erivelto Reis
É preciso valorizar,
Todo dia, ao que mais amamos.
Esse ato requer honrar
Aos que mais amamos...
Encontrar
A motivação necessária,
Em nossa própria existência,
Para olhar,
Com respeito, cordialidade,
Transparência.
(Arremedo de persistência),
Consciência de que quando e se
Talvez acabar...
O bom do outro e do que houve
Haveremos de lembrar.
Esse ensaio excede a nossa
Capacidade de dimensionar
Quem somos.
Essa força deve vir de nós:
Indicará, ainda que entre brumas,
O lugar pra onde iremos.
É preciso ensaiar pra ser sempre um pouco mais
Todo dia...
Ainda quando julguem
Que sejamos menos.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Poema: "Tabuleta", de Erivelto Reis
TABULETA
Erivelto Reis
Senhores
deste mundo,
Que o tornam
vil e mal,
E violento e
boçal
Para impor
suas receitas
De remédios
De torpor.
Que ameaçam,
Amordaçam,
E agridem
trabalhadores e trabalhadoras,
Tirando nossos
direitos,
E a
oportunidade de sonhar.
Que tornam
escravos nossos sonhos,
Nossa rotina,
E viciam o
jeito de olhar o mundo e o outro.
Só tenho uma
coisa a dizer-lhes:
Vão todos
tomar cautela!
Vão todos
tomar cuidado!
Que o povo
não é o gado,
Pra ser
espremido em cancela.
A revolução
se avizinha,
E a Escola,
destruída como entidade,
Renascerá das
cinzas...
Não
sucumbirá.
A nova
sociedade marchará por justiça,
Igualdade e
voz.
Senhores
deste mundo,
Não estejais
tranquilos,
Não profirais mentiras,
Que tudo no
mundo sempre passa,
Que a sua
roda da sorte um dia muda,
No mesmo
compasso em que a Terra gira.
quinta-feira, 30 de março de 2017
Poema: "Poetrocantropus", de Erivelto Reis
Poetrocantropus
Erivelto Reis
Faço encartes
penduro as letras
as palavras estão aí
tirem-me do centro
desfocalizem-me
A escrita fica e é eterna.
Já eu!
penduro as letras
as palavras estão aí
tirem-me do centro
desfocalizem-me
A escrita fica e é eterna.
Já eu!
Selma dias
Disso eu nunca duvidei:
As pessoas têm poesia dentro
delas.
Disso eu sempre soube:
Há pessoas que as poesias
É que são elas.
Há poesias em pessoas,
Há pessoas que são a poesia em Pessoa...
Há pessoas que são várias pessoas.
Há pessoas que rascunham a poesia
que serão,
Talvez no próximo outono,
Talvez na próxima estação.
Há pessoas que são a poesia em
abandono,
O livro fechado das emoções que
têm,
Dicionários de desastres e
interrupções...
Há pessoas que são a poesia insone,
São chamas de vela,
Ou a cera que derrete,
A rima rara, o verso bom que não
se repete.
Disso eu nunca duvidei.
Assinar:
Postagens (Atom)




