Ícaros
Erivelto Reis
Somos todos feitos dos mesmos átomos,
Do mesmo carbono,
Da mesma areia.
E em cada um de nós há diamantes de quilates
Infinitos de gentilezas inimagináveis,
De carinhos incalculáveis.
Somos feitos da mesma matéria que
Compõe os anjos, as auréolas e os poemas
Nossos dilemas se estruturam com
O teatro do lúdico e do drama
Que encenamos ou que somatizamos...
Com fígados, artérias e olheiras.
Não nos diferimos por nossa existência,
Conveniências ou conivências
Nos assemelhamos por medos
Desenredos e incertezas!
Por alma, coração e porque
Sobre as nossas mesas
Pousamos as redomas que protegem (nos)
Dos sonhos que já realizamos.
O aluno é um mestre em gestação,
O mestre é o aluno do futuro
De cada geração...
Por isso o exemplo e a esperança permanecem,
Por isso a imagem que temos de nós mesmos
Não corresponde, ainda, a todo o bem que ainda faremos.
Estamos no caminho:
As asas já estão atadas!
É a chave dos céus de sobre
O labirinto o que queremos...
Quem sou eu
- Erivelto Reis - Poemas e Crônicas
- Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Ri... mas, - Poema de Erivelto Reis
Ri…mas,
Erivelto Reis
Nem sei que é feito de mim
Com esse silêncio inquebrantável!
É ausente,
É mínimo.
É uma infância de signos,
É uma herança de ritos,
São sons e palavras
Que, às vezes, repito:
Nem sei que foi feito de mim…
Mas nem eu acredito.
Erivelto Reis
Nem sei que é feito de mim
Com esse silêncio inquebrantável!
É ausente,
É mínimo.
É uma infância de signos,
É uma herança de ritos,
São sons e palavras
Que, às vezes, repito:
Nem sei que foi feito de mim…
Mas nem eu acredito.
segunda-feira, 31 de março de 2014
"01 de Abril" - Poema de Erivelto Reis
01 de abril
Erivelto Reis
Olhei pra rua,
Tremi,
Quem disse mal de mim?
Quem vai criar meus filhos
Quando vierem me levar daqui?
Que trem, que carro e casa
OBAN, obus, baú...
Silêncio nunca foi história,
Cinza não é mérito,
Corpo desaparecido
Não sustentará medalha...
Não se cobrirá com mortalha.
Espreitaram tanto,
Que desconfiam até da sombra...
No Sermão do Viaduto
No alcatrão das masmorras
É meu irmão fardado
Mas nu que o rés das forças.
Primeiro de abril
Eis que acordo:
E busco a Democracia
No revés de todas
As mentiras.
sábado, 22 de março de 2014
"Mantra" - Poema de Erivelto Reis
Mantra
Erivelto Reis
Meus alunos são grãos de pólen:
Vão polinizar, educar e transformar.
São gente, é verdade e em princípio
Com sentimentos e anseios...
Não admito que possam sofrer
Para exercerem a profissão,
Que dignamente consagram e exercerão!
Não admito, mas sei que professor
Que não sofra é quase que uma exceção.
Quero que tenham o melhor,
Quero que sejam os melhores!
Não por mim, mas por eles,
E por aqueles, como nós, que deles dependerão.
Quero que tenham razão, respeito e resignação,
Quero que sejam sensíveis, afetuosos, de bom coração.
Meus alunos são grãos de pólen...
Meus alunos são sementes,serão raízes,
São chuvas de bênçãos
No solo da educação.
Erivelto Reis
Meus alunos são grãos de pólen:
Vão polinizar, educar e transformar.
São gente, é verdade e em princípio
Com sentimentos e anseios...
Não admito que possam sofrer
Para exercerem a profissão,
Que dignamente consagram e exercerão!
Não admito, mas sei que professor
Que não sofra é quase que uma exceção.
Quero que tenham o melhor,
Quero que sejam os melhores!
Não por mim, mas por eles,
E por aqueles, como nós, que deles dependerão.
Quero que tenham razão, respeito e resignação,
Quero que sejam sensíveis, afetuosos, de bom coração.
Meus alunos são grãos de pólen...
Meus alunos são sementes,serão raízes,
São chuvas de bênçãos
No solo da educação.
quarta-feira, 12 de março de 2014
"Cacto"- Poema de Erivelto Reis
Cacto
Erivelto Reis
Passou um carro de boi,
Plantou chuva,
Tempo, terra,
Com sentimento,
Nasceu vida, produziu poesia
Família, história e jardim.
Agora é sempre o deserto
Quando ando em mim.
Nem légua, hectare,
Quilômetro ou quimera
Distância, saudade sem meta...
Nem planta, nem muda:
Um mundo em desprimavera,
Que parece nunca ter fim...
Agora é sempre o deserto
Quando ando em mim.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Esse post é especialmente preparado para os meus alunos do 1º período 2014.1 da FEUC
Prezados alunos essa é a história de um brasileiro que venceu pela educação e por sua capacidade e tenacidade. Bom recesso a todos.
Clique no link e assista à entrevista.
http://www.youtube.com/watch?v=WtjvG3aKhSU
Roberto Carlos Ramos (Belo Horizonte, 20 de novembro de 1965)
é pedagogo e contador de histórias. Sua história de vida inspirou o diretor Luiz
Villaça em seu filme O Contador de Histórias. Roberto Carlos deixou de ser
menino de rua em Belo Horizonte, tornando-se personagem central de um filme, é contador
de histórias reconhecido como um dos dez melhores do mundo, escritor e palestrante.
Roberto Carlos Ramos
é uma exceção nas estatísticas
brasileiras. Viveu dos 6 aos 13 anos de
idade longe da família como interno
da Febem. Analfabeto, usou drogas e roubou
nas ruas de Belo Horizonte. Teve 132 fugas
registradas no seu prontuário e foi
considerado "um caso irrecuperável".
Mas ao contrário
do que acontece com milhões de crianças
e adolescentes em situação
semelhante, não caiu na marginalidade.
Aos 13 anos foi adotado por uma francesa
que se negou a acreditar que uma criança
como ele pudesse ser um caso perdido.
Marguerit Duvas
provou que estava certa. Com ela, Roberto
aprendeu a ler e a escrever, a falar francês
e, principalmente, a dar e receber afeto.
Aprendeu a ter autoestima e autoconfiança.
Na França, descobriu a arte de contar
histórias. De volta ao Brasil, se
formou em Pedagogia e acabou se tornando
o que ele mesmo define como o Embaixador
do País das Maravilhas.Clique no link e assista à entrevista.
http://www.youtube.com/watch?v=WtjvG3aKhSU
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
"Querela" - Poema de Erivelto Reis
Querela
Erivelto Reis
Que é arte,
Senão técnica
De ar e fabrico?
De gênio, intelecto
Ética, etnia e conflito?
Que é arte, senão sopro de inspiração,
Trabalho de peregrina resignação?
Que é arte, senão
O alimento da alma,
A retina da ilusão,
As asas da imaginação?!
Que é arte,
Senão tempos que coexistem
E competem entre si?...
Que é arte, senão o expor
De desvãos, de desvelos?
Que é arte, senão
Sensação de eriçar os pelos,
Som de calar a voz,
Visão de cegar quem vê,
Que egoísta, o artista cria, divide e crê?
Que é arte, senão sacrifício,
Doação e embate?
Que é arte, senão deuses
Confeccionando espelhos,
Musas e seus preferidos?
Que é arte,
Senão ecos simulando gritos,
Homens e mulheres
Criando e/ou se tornando mitos?
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