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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Poema: "GNT", de Erivelto Reis

GNT
Erivelto Reis

Tem gente odiando como quem respira!
Tacando espora e esporro
Na honra alheia.
Plantando intolerância
Como quem semeia
Pedras pontudas,
Castelos de areia...
Com força de naufrágio,
De ideologias de vento
Em cabeças de eco...
Tem gente achando que odiar tá certo.
Arrebanhando seguidores, militantes,
Congêneres, congregados,
Desagregadores,
Agregados por evangelhos de ódio.
Gente que almeja atingir um pódio de poeira,
Pêndulos de movimento incessante,
Seus limites sucumbiram,
Junto com a ética e o caráter.
Tem gente achando que odiar é arte.
Articulados, instrumentalizados,
Cheios de verdades de mentira
Que sacam como armas de verdade...
Com as quais atiram pra matar
De dor, de rir e de medo...
Tem gente achando que ódio é brinquedo.
Não leia, não ame, não (a)brigue, não esqueça...
Perdoe!
É gente cujo mundo está cada vez pior.
Não seja gente assim.

Seja gente, só.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Poema: "Apelo", de Erivelto Reis

Apelo
Erivelto Reis

Difícil viver como se fosse preciso
Provar tudo
O tempo todo
Não a todos
Mas a alguns
Aos quais o que
Que quer que se prove
Nada valha, pouco valha
Ou não importe.
Difícil viver convivendo
Com o conhecimento
De teorias
E o desconhecimento de hipocrisias
Que existem latentes
Na incoerência do dia-a-dia.
Difícil viver sob pressão,
Sob protestos
Sob pretensões
De quem se crê
Bem mais certo que o resto.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Poema: "Drink", de Erivelto Reis

Drink...
Erivelto Reis

Injúria
Inveja
Luxúria
Xarope
Cerveja
Curare
Azia
Usura
Democracia
Ditadura
Discursos de ódio de araque
Ressacas do mesmo
Copo de veneno, bourbon ou conhaque...


Poema: "Que carregue..." de Erivelto Reis

Que carregue...
Erivelto Reis
Notícia de boca que carrega
O destino que não vive,
Pesa quase nada – leve, leve...
Mas, ouvido que escuta
Notícia de destino que se cumpra
Sem querer, sem ter meio ou
Ou condição, à força:
Aproximação do inferno astral que ferve...
Pesa muito: montanha de sal
E chumbo,
Ruína de mundo e neve.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Poema: "Onde é que há?" - Erivelto Reis

Onde é que há?
Erivelto Reis

Arre!
Senhores do mundo,
Fraudes de si mesmos,
O antídoto pra vossa ilusão
É o sofrimento de outros?
Aplaquem vossa ira,
Vossa insanidade,
A fúria com que mandam,
O descontrole com que exigem,
A insolência com que ordenam,
O despudor com que desrespeitam...

Arre!
Senhores do que chamam mundo,
Vossos desmandos autoritários,
Vossos desastres ambientais,
Administrativos e comunicacionais,
Têm gerado guerras, queixas, vácuos,
Hiatos, abismos, barreiras, desbarragens,
Impostos, opressores e impostores...
Têm secado rios,
Ensinado as usuras morais que sequestram a ética...
Disseminado as ofensas silenciosas
Da desfaçatez com que desprezam
Qualquer ser, supostamente, pior
Que seus desparâmetros.

Arre!
Sejam humildes:
Perguntem, partilhem, renunciem...
Respondam pelos desertos que semeiam.

Arre!
“Onde é que há gente no mundo?”
Bradava o bardo, clamando, evocando
Valores ausentes.
Arre!
Estou farto de pseudosemisubgentes...


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Poema: "Um Mestre em cena: o segredo da liberdade" - Helton Tinoco

Eis um lindo presente de Natal que recebi.

Um Mestre em cena: o segredo da liberdade.
Helton Tinoco

Para Erivelto Reis
Ao entrar no palco ele muda o seu estado. Sai do cotidiano, do neutro, da cegueira diurna. Muda a postura, crispa os cabelos, levanta a sobrancelha esquerda. É prazer, é risco, é o inesperado. Caminha entre carteiras, vozes e sons. A platéia atenta! O silêncio e a passividade o assustam e irritam. Ele pensa: _Preciso tocar os corações! O cenário é ainda um quadro negro, murais e trabalhos pendurados formando um cubismo infantil de sonhos, esperanças e referências. O texto é decorado num planejamento, pensado, calculado. É tempo, é espaço, são procedimentos e recursos. A sua voz ecoa tão profundamente necessária e traz clareza. Tudo respeitando a diversidade dos sentidos, mas qual é o sentido? Na platéia: aqueles que não têm luz! Será? Uma platéia não pode ser passiva, não pode ser triste, nem alegre demais, ele diz. Uma platéia deve ser atenta! E cada respiração, cada gesto, nada deve ser em vão. Tudo pensado, calculado, ensaiado, no entanto, pronto para o improviso. Preparado para o risco! O único presente possível é a presença. Viva, instigante, revolucionária. Fazedora de pensar e que destrói lentamente antigas crenças, reinventa amores, recriando a nossa humanidade entre quatro paredes. A aula é uma cena que transcende aparências. É perder a vergonha! É ganhar na troca. É alegria e prazer, mas também, dores e rompimentos. Tudo sem amanhã e sem passado. É estar à beira do abismo e lançar-se sem certezas, com o coração cheio do dever de arriscar-se. Ele, o Mestre, ao mesmo tempo é ator, clown e mágico. É um tipo de gente que se expõe, convida e acolhe. Sobretudo, sem esquecer que o grande motivo de se estar ali é promover algo que brota ali, somente ali. É o segredo da liberdade.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Poema: "Desdito" - Erivelto Reis

Desdito
Erivelto Reis
O que mata o amor
Não é o tempo,
A falta de tempo,
O desalento,
Ou outro elemento.
O que mata o amor
Não é a distância,
A arrogância,
A intolerância,
Ou outra forma de errância...
A morte do amor
Não é desamor,
Ódio ou dissabor.
A morte do amor
É não amar o amor,
É o antiamor.
Matar amor
É amar o reflexo,
É buscar nexo,
É desdesejar o sexo...
Matar o amor
É um ato inexato,
É um desdom inato,
Nem sempre acontece...
Mas, se acontece, é fato.
Ninguém ama desamar
O amor,
O objeto do amor,
O motivo do amor.
Omitir surpresas,
Emitir ofensas,
Silenciar e não compreender carências.
Aquele que, podendo amar, não ama,
Aquele que, podendo amar, desama,
Não o faz de cabeça erguida,
Com orgulho,
Autor de enredo de trama...
Aquele que podendo amar, sucumbe,
Tem nas mãos o roteiro do destino
Que não cumpre.