Acrítico
Erivelto ReisEu leio poesia pra gostar do texto
Não pra gostar do poeta!
Pode até ser que deixe de gostar do poema
Por causa do cinismo do poeta,
Que se esconde atrás de um eu-lírico,
Quando todo mundo sabe
O quanto ele é cínico.
O quanto o crítico tem de acrítico...
Pode ser que a poesia o redima:
A que estiver em mim,
Se eu estiver no clima...
O mesmo vale para a música,
Pro cinema, pra estilística,
Pra pintura, pra linguística...
O critério é meu.
Não é seu crivo,
Não são seus livros,
Suas obras ou seus ombros
Que vão mesmo suportar o mundo.
Pega mais leve, responda
A quem pergunte,
Não se faça de muso
Não se assuste, se assunte.
– Pare de abuso!
Olha a patacoada!
Deixa de dar carteirada!
Tá correndo atrás das motos
Igualzinho a um vira-latas...
Por causa de purismos,
Quer fechar a porta de entrada.
Fala sério,
Vá brigar com Graham Bell, com Gutenberg,
Com os assírios, com os sumérios...
Ou não brigar com ninguém...
Ou vá pra o diabo que o carregue.
Deixe de falsa fúria, pare de patrulha.
Escolhe melhor suas batalhas.
Para de fazer como o pombo
Que tanto suja a rua quanto arrulha...
Não é o capitalismo,
Não são as trends,
É agredir, gratuitamente,
Em lugar de explicar com zelo
O que acha que o outro não entende.
Se não puder desse jeito,
É melhor ser arquiteto
Do deserto de seu insuperável padrão.
Ficar como um super homem
Na fortaleza de sua solidão.
