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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sábado, 25 de março de 2017

Poema: "Papel", de Erivelto Reis

Papel
Erivelto Reis

Você não respeita o suor do meu rosto
Meu espaço de trabalho, seu espaço de estudo...
Não respeita o meu presente,
Me respeitará no futuro?
Meu conhecimento,
Que com você eu divido,
O que gostaria de construir com você,
São trapos, farrapos, migalhas,
Pra debaixo do tapete varrer?!
Me despreza e desdenha e critica
Mas quer ser tratado com distinção e decência
Se eu te tratasse como sou tratado...
No primeiro ato, você perderia a paciência...
Ah, se você me tratasse como se valorizasse a docência.
Acorda, pessoa de ética eólica,
Muda sua situação:
Estuda, respeita, trabalha,
Meu fardo é minha cangalha,
Meu pedido é minha indignação.
Aqui, em Paris ou em Roma,
Quem toma as atitudes que você toma,
Com certeza, o seu diploma,
Por favor, vê se me ouve:
Não serve nem pra papel de pão,...
Não serve nem pra papel de açougue!


domingo, 19 de março de 2017

Poema: "Buraco", de Erivelto Reis

Buraco
Erivelto Reis

Os reis de ouros
não desembainham espadas

num jogo de cartas marcadas.

sábado, 11 de março de 2017

Poema: "Mano a Mano", de Erivelto Reis

Mano a Mano
Erivelto Reis

Não sou mais aquele que eu era:
Passou o tempo,
Perdi momentos,
Mudaram-me os sentimentos...
Não sou mais.
Depois do primeiro poema,
Depois da primeira lágrima,
Passei a ter uma lavra:
Lavoura de palavra de poeta
Que semeia
Castelos de ar e areia.
Não sou mais,
Depois que me deixei levar,
Saiu de mim um poema
Com a tristeza de quem
Está longe de tudo,
De seu amor, de seus filhos,
Ou de seus pais
E sabe, lá no fundo,
Que nada vai voltar mais.
Sou um rio que não flui.

Não sou mais aquele que fui. 

quinta-feira, 2 de março de 2017

Poema: "Tarântula", de Erivelto Reis

Tarântula (Pode ler pra mim?)
Erivelto Reis

A tara da tarântula
Não é o tantra
Não é a teia
Não é a trama
A tara da tarântula
Não é o mantra
Qual é a tara da tarântula?
Qual é o seu chiste?
É esperar pela presa
Sem pressa,
Deixá-la presa à beça,
É isso que a tarântula preza
Salivar
Degustar, desgostar
Pra saborear
A tarântula não desiste
A tara da tarântula

É a glândula de seu fetiche.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Poema: "Vendeta", de Erivelto Reis

VENDETA...
Erivelto Reis
Para Cícero César e Flávio Pimentel

Se Rosa estivesse aqui,
Eu perguntaria que raio de travessia é essa?!
Daria à Ana Cristina o que é de César!
Na certa, haveria uma esquina, um beco, uma sombra...
Alguém manipulando, com sutileza,
A heresia da gentileza do carrasco no cadafalso da porta da igreja.
Um rio de correnteza, que mostra como superfície
O que, bem lá no fundo, nunca foi razoável.
Se Rosa estivesse aqui...
Mas é pouco provável.
Nenhum Wilde, Dante,
Nenhum Cervantes, nenhum Huxley,
Nenhum Kafka, nenhum Camões,
Nem Adélia, nem Florbela,
Podem conter o fervor de preces e orações
De qualquer Pessoa,
E os seus heterônimos de amor e fúria.
Pergunte a quem pertence à cúria.
Eles sabem que o poder
É a melhor parte da loucura.
Se Rosa estivesse aqui...
Que Bandeira hastearia?
De Paz, de Camus,
Ora, Eça, nem me peça explicações: diria Régio
Que tudo isso se resume
A porra de um romance de António Lobo Antunes.
De Barros a Borges,
Leitores seriam fantoches
Que se assustariam com os deboches da vida:
Os atentados, os refugiados...
As Torturas dramáticas do cotidiano.
A morte de gente de bem fazendo estrago,
Permitida por gente mal...
Denunciada com a vidência da clareza de Assis e de Saramago.
Nenhum poema de Gabriela Mistral,
Nem a doçura de Neruda faria cessar essa dor aguda.
Dando na ponta o soco que trespassa a lança...
Vai ver o mundo é o sertão
E todo mundo é Riobaldo,
E Diadorin já morreu mesmo...
E, sei lá, se nunca houve céu!
E o pacto foi completado...
E agora o mundo é o diabo,
Com a faca tinindo,
Riscando destino
E cobrando a conta.
Tem mais silêncio no mundo,

Mas a vontade é tanta.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Poema: "Loa do leitor admirado", Erivelto Reis

Loa do leitor admirado
erivelto reis
Para Patrick e Gustavo
o empático Patrick
e o lacônico Gustavo
cada qual com seu trabalho
não que eu queira dar palpite
o enigmático Gustavo
e o romântico Patrick.
cada palavra escolhida
pelos dois é lapidada
Gustavo usa-as como escudos
Patrick usa-as como espadas
o emblemático Patrick
e o sistemático Gustavo
cada nova poesia
é um trecho do caminho
que por eles é trilhado
o lunático Patrick
e o marciano Gustavo
não são deste mundo os dois
pois que a arte é seu espaço
o semântico Patrick

e o sintático Gustavo.

Samba Enredo: Meu TCC, meu artigo!, Erivelto Reis

SAMBA ENREDO 2017 - “MEU TCC, MEU ARTIGO!”
Erivelto Reis
AGREMIAÇÃO: GRUS (Grêmio Recreativo Universitário Surtando) ACADÊMICOS DO TCC
ENREDO:
“AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ: DO ENSINO MÉDIO À ACADEMIA NUMA VIAGEM EMPÍRICA PELA REFLEXÃO TEÓRICA E PELA METODOLOGIA EFICIENTE, À LUZ DAS HIPÓTESES PLAUSÍVEIS PROBLEMATIZADAS COM ÉTICA E COMPETÊNCIA”.
Carnavalesco (a): O seu Orientador ou a sua Orientadora
Intérprete: Graduando/Graduanda
Jurados: Banca Avaliadora
REFRÃO
Abram alas,
Venham ver:
Vai desfilar nessa avenida
O meu T-C-C!
(Repete refrão)
Meu sonho é lindo:
A minha graduação,
Vai compensar
A minha concentração!
Fim de semana, o chopinho com os amigos
Vou adiar
Pra depois do meu artigo.
REFRÃO
(Repete refrão)
Eu vou fazer funcionar
Conceito e teoria:
Vou responder os problemas,
Mostrar a bibliografia.
REFRÃO
(Repete refrão)
Vou digitar, revisar, diagramar,
Vou imprimir, conferir, encadernar,
Vou defender, convencer, impressionar,
Pra conquistar e o futuro melhorar.
Me-lho-rar! [Gritando desesperadamente cada sílaba]
Abram alas,
Venham ver:
Vai desfilar nessa avenida
O meu T-C-C!
(Repete refrão)