Quem sou eu

Minha foto
Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Poema: Jaula, de Erivelto Reis


Jaula
Erivelto Reis

Não deixem as crianças condenadas
Não deixem as crianças sem pão
Não deixem as crianças sem pai nem mãe
Sem pátria, sem saúde
Pedindo a um deus infantil que as ajude
Em gaiolas, em jaulas, em prisões, refugiadas, exiladas
Confinadas, traumatizadas
É um golpe na jugular da civilização
Latinas, africanas, orientais,
(Estrangeiras... nacionais)
A uma criança não se maltrata jamais
Não tratem as crianças como
Se não fossem nada,
Como se não possuíssem nada
Elas possuem um futuro
O futuro,
Se o futuro chegar
Não deixem as crianças aprisionadas
Prenda-se aos tiranos, aos déspotas
Aos megalômanos genocidas
Não façam da infância uma ideia corrompida
Decadente abandonada
Não deixem as crianças perecerem
Nas mãos dos que matam no mundo
Mandam no mundo
Covardes, sob os holofotes
Cuidar da infância
Deve ser compromisso de todos e de cada um
No século XXI (e desde o começo do mundo)
Cada dia é mais violento que o anterior
Não deixem as crianças sem amor.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Poema: "Enamorados" - de Erivelto Reis para Gloria Regina


Enamorados
Erivelto Reis
Para minha gloriosa esposa Gloria Regina.

Que namoro de alma
É como a aura, a energia se tatua na retina...
Uma pessoa amada
Em sintonia extremamente fina,
Até que não se saiba
Onde uma alma começa
Onde a outra reinicia.
Que namoro de alma nunca acaba
E nunca termina.
Nosso namoro é assim, Gloria Regina,
A tua alma tatuada na minha retina.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Poema: "Vísceras", de Erivelto Reis


VÍSCERAS
Erivelto Reis
Para Roberto Bozzetti, respeitosamente.


Que os Deuses me livrem de andar pelos escombros de meus poemas!
Deixe que outros o façam:
Acostumado que fui
Às palavras vivas de poetas mortos,
Deparo-me a toda hora,
Como assombração provocativa,
Com as palavras mortas,
E as quase sem vida
De poetas vivos com os quais convivo.
E mesmo com as minhas
Cadavéricas, anoréxicas, diuréticas e biliímicas
Palavras...
Elas tombam todas,
Acham que compuseram um poema
Figurantes no fundo da cena.

Quanto aos demais autores,
Já nem espero suas palavras
Baixarem no túmulo dos livros,
Para depois assistir ao doloroso processo
De exumação a que a leitura me obriga:
Eis que as palavras surgem esqueléticas, apologéticas...
Acompanhado por um léxico, um crítico,
Um exegeta, um fantasma e um exorcista.
Parece-me que todo texto bem fundado,
Bem escrito e bem usado
Tem certo quê de anarquista, antimetafísicaespiritualista...
(Perdoe-me por esse pensamento tolo!)
Como supor que algo que nasceu,
Que brotou do sentimento, do suor do rosto
E do labor das mãos
Possa nos reencontrar em estado de completa
(de) composição?!
Vejo novamente as pobres palavras
Emergirem de seus túmulos,
De seus poemas-sepultura...
Na lápide fendida ainda pode-se ler:
“Aqui jaz tola palavra que pensou,
Que ousou tentar ser literatura.
Que jamais descanse em paz.”
Que os Deuses me livrem de andar tropeçando
Pelos destroços, pelos remorsos,
Por entre as vísceras de meus poemas e de outros mais!


terça-feira, 22 de maio de 2018

Poema: "Te desenhei", de Erivelto Reis - Para Gloria Regina


Poema: "Vela", de Erivelto Reis


Vela
Erivelto Reis

Por que tanta vela acesa
Numa rua sem saída?
Cortejo
Esquarteja
Meio copo de cerveja...
O restante nem sobrou pra o santo
Atônito: vômito!
Pano branco sobre o corpo:
Sangue escorrendo em direção ao esgoto.
Violento fim.
Infância interrompida pelo meio,
Na história interrompida por alheio.
Meio retrato falado,
Desbotadas fotos nos porta-retratos.
Pra que tanta vela acesa
Pra que tanto grito de terror e revolta?!
É o desespero batendo palma na porta.
Thanatos:
Conhece tanto os ricos como os pobres,
Mas tem mais trabalho com os do segundo grupo:
Mesmo depois de mortos os pobres continuam dando lucro,
Sua existência é ir pulando de luto em luto.
Dobre do sino:
Silêncio, menino.
Essa a casa não é mais a moradia de seu pai...
Esse corpo não é mais a moradia de seu pai!
Você não tem mais a companhia de seu pai!
Por que tanta vela acesa
Numa rua sem saída?


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Poema: "Sim, eu faço Letras", de Erivelto Reis

SIM, EU FAÇO LETRAS
Erivelto Reis
Sim, eu faço Letras...
Sou astrônomo das palavras cometas,
Das perpétuas palavras de amor e esperança.
Brinco com os textos,
Minhas memórias do que entendo deles
Pretenderei deixar de herança...
Além do testemunho
De como a Poesia salvou minha vida.
Sim, eu faço Letras!
A linguagem e seus signos,
Seus efeitos e seus sentidos
São a personalidade do desejo
Do conhecimento,
Das personagens que adotei,
Das histórias que elegi,
Como aquelas que vou levar comigo.
Não sou santo, não sou mártir,
Não sou deus, nem sou feito de bruma,
Nuvem ou miragem.
Sou espectro descrito no átrio de mim mesmo
Pelo poder da linguagem.
Sou feito e revestido por ela.
Ela está em toda parte.
Ela é meu lar, minha casa...
Com ela minhas possibilidades
Nunca são escassas!
Sou um projeto de (arc)anjo,
Cujas asas são feitas do tecido
Da pena e das palavras.
(Meu escudo é um livro, minha espada é uma caneta!)
Sim, eu faço Letras.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Poema: "És tudo", de Erivelto Reis


És tudo!
Erivelto Reis

Estudo porque minha vida depende
De cada palavra, de cada ideia...
Meu espírito carece de logos
Para que minha alma escape
De pathos...
Estudo e leio como vivo
Cada história.
Estudo porque meu espírito quer
Ser livre:
De uma liberdade que só as palavras
E a música proporcionam.
Estudo porque só assim
A sensibilidade e a emoção me aprisionam.
Estudo como quem tem fome
De um alimento que não cesse,
Não seja escasso e que jamais sacie.
Uma fonte que nunca seca,
Um florescer e um brotar contínuos
Que não conhecem outono ou inverno.
Estudo porque assim descubro
E me descubro através da arte e da literatura.
Estudo como quem tem febre:
Uma febre que não encontra cura.