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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre e Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Poema: "O chão da escola", de Erivelto Reis

O chão da escola

Erivelto Reis

 

Há uma poça de lama no chão da escola

No bairro da escola, na rua da escola

Há uma poça de lágrima

Que escorre no chão da escola

Há uma poça de suor e sangue

No chão da escola

Um livro uma professora um servente

Desprezados no chão da escola

Só os discursos sobre o chão da escola

Parecem edificantes

Ficções para principiantes

Um chão por onde já poucos caminham

Do qual muitos se desviam...

Uma trincheira – última linha antes da barbárie

A chave do cofre está nas mãos

Dos que ainda resistem no chão da escola

Depois, arrombada e saqueada,

Privatizada a educação

– o per capta do governo

Pago aos abutres e lemans que estiverem em cena

Vai se maior que o pib das grandes potências

E a escola vai ter franquias e filiais como bobs e habibs

E vai vender minguados créditos aos filhos dos trabalhadores

como quem carrega um pré-pago, um oi ou um tim talvez, claro...

Pra o aluno pobre matriculado aprender quanto puder

No tempo que lhe for destinado.

Ou haverá plataformas e aplicativos com algoritmos viciados

Como uma bet pra perder o futuro de vez.

Uma fábrica de operários mudos e obedientes

E mal remunerados.

Há muito lodo no chão da escola

Um escândalo que, se revelado,

Faria ver a todos o quanto de posse há sobre o chão da escola

De concreto só os decretos e os pontos estratégicos

Dos prédios que interessam aos investidores

E o que eles significam em lucro, propaganda e controle.

Um chão de deixar doente, um chão úmido,

Do qual já não parecem germinar as boas sementes.

Há um chão da escola, viciado em desmantelar gente.

Há um chão da escola diferente...

Há um caixão da escola!

Há ainda alguns poucos indignados...

Resistindo, lutando... re-velando.

E um montão de gente indiferente.

 

Onde é que fica o chão da escola?

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