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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sábado, 30 de setembro de 2017

FALECIMENTO DE MEU PAI JOSÉ DE ARIMATÉA - 29-09-2017

Última foto com meu pai
Meu pai chegou ao Rio de Janeiro com a família em formação. Ao lado de minha mãe trabalhou duro e nós trabalhamos junto. Eu, Deda e Neném, cada um a seu jeito, somos capazes de falar de nosso pai. O Elton foi um presente que meu pai e minha mãe deram pra nós naquela época. Assim como cada um dos netos foi para meu pai um presente que ele valorizou ao máximo. Dele aprendi fundamentalmente a trabalhar com amor, ser educado com as pessoas, admirar inteligência e caráter, ficar perto de quem nos trata bem, ficar longe de quem nos trate mal. Só posso falar das coisas que me cabem e só delas falarei. A ele prometi três coisas que, com ajuda fundamental de minha esposa Gloria Regina, consegui cumprir: me tornei um profissional reconhecido em minha área - assim como ele sempre foi; me formei e comprei o sítio do qual ele tanto gostava, no qual trabalhou duro ao lado de minha mãe, dos meus irmãos e do Rei. Isso não faz de mim melhor ou pior do que qualquer um dos meus irmãos, do que meu pai, minha mãe ou quem quer que seja. Essa foi minha história com ele, que foi firme e muitas vezes rígido porque a vida o ensinou assim. Gostava nele que fosse polido e simpático, quando me beijava e abraçava e quando contava histórias. Aprendi a conversar com os outros por causa dele, que sempre foi muito comunicativo. Isso sempre admirei nele e procuro imitar, embora eu seja tímido como minha mãe. Dele herdei a fisionomia, a altura, os olhos e o gostar de interpretar as letras das músicas. Também a sua perspicácia e a insubordinação contra a exploração do mais fraco. E assim, reconheço e quem nos conheceu sabe que há muito dele em mim. O tempo que convivemos foi de muitas batalhas pra vencermos e muito cedo me desavim com ele e minha mãe para tentar minha própria trajetória. Ele me perdoou porque ele mesmo construiu um pouco dessa forma sua história. Um dia depois da minha formatura fizemos pra sempre um pacto de solidariedade. Um salvo-conduto para tudo que pudesse ter nos ferido em algum momento por qualquer motivo. Eu sempre tive muito orgulho dele e sei que ele se orgulhava muito de mim. Foi um grande pai para o filho que eu consegui ser. Meu coração é dor e saudade porque ele não estará mais aqui. Mas também, é gratidão porque ele sempre acreditou em mim. Infelizmente, por motivos que só ao destino pertencem, me encontro em outro país e não chegarei a tempo de participar de seu sepultamento. É uma dor que terei de carregar. Agradeço aos meus irmãos, à minha mãe, aos familiares e amigos. Ele foi amado como homem, valorizado como pai e como avô e sua trajetória será lembrada por mim enquanto eu viver. Sou grato por tudo. Não tenho o que perdoar pois tudo já foi perdoado e estava em nosso destino pra nos fortalecer. Lembrarei pra sempre do dia em que o vi, em 1982, consertando o portão do sítio; e de quando fui buscá-lo no hospital em 2008 e ele me deu a mão pra atravessarmos a rua. Fomos pai e filho irmanados pela lembrança carinhosa da presença de minha Avó Domira. Ele a ela se junta agora num céu de felicidade eterna. Daqui a não sei quanto tempo, a eles também me juntarei. Vai dormir, meu pai. Teu repouso eterno foi conquistado por tua luta vitoriosa. Não há nada a ser dito ou provado. Daqui pra frente tudo será lenda. Erivelto Reis. 30.9.17. O dia mais triste do mundo. (TEXTO LIDO POR MINHA CUNHADA CAMILA COMO ÚLTIMA HOMENAGEM DURANTE O VELÓRIO).


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