Quem sou eu

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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Poemas do Livro Sem Rima (2004), de Erivelto Reis

Convenções






Não me julgues

Pela aparência,

Que todos sabem,

É ilusão fugaz!

E os elogios

Que me fazes agora,

Já foram feitos

A muitos outros mais.

Não me releves a palavra

Amena,

Que a ti pareça

Bela e trivial...

A elegância da minha

Discordância

Pode caber numa frase banal.

E a ti eu quero prevenir:

Não te apresentes

Tal e qual “estrela”,

Pois o orgulho

Pode te iludir!

Já que o brilho

Da verdadeira estrela

Que vês no céu,

Há muito tempo

Deixou de existir.



Sem Rima





Agora chega,

Não vou mais rimar pra você!

Não serei mais o apaixonado

- Sonhador incompleto -

Que vive sonhando

Em viver ao seu lado.



Deixarei de olhá-la,

Ainda que me custe

A dor de uma paixão.

Deixarei de falar com você,

Ainda que meu coração

Fale mais alto...



E apesar de tudo,

Meu amor, eu lhe juro

Que nada mais neste mundo,

Vai me fazer rimar pra você.



Seguirei sem rumo,

Apesar de conviver com você.

Passarei noites em claro,

Apesar de sua doce lembrança.





Mas amor, eu lhe juro

Que não há nada mais

Neste mundo,

Que vá me fazer rimar

Pra você.



A minha louca decisão,

Nem você pode entender.

Mas eu sinto que ela

Pode impedir

Que eu continue a sofrer.



Porque você é o meu amor...



Você é a luz que me ilumina!



Por isto, eu lhe peço,

Neste último momento,

Me deixe quebrar o juramento

E me despedir com uma rima!



O Delírio de Um Poeta





Por onde passei, ouvi mágoas.

Transformei-as: Belas!

Embora, muitas delas

Eu não pudesse compreender.

Por onde passei, ouvi gritos.

Histéricos, ridículos...

Que então, trouxeram

Aos meus sentidos,

A agonia de viver!

Por onde passei, deixei marcas,

Aos poucos, ofuscadas

Pela brilhante luz dos tempos!

Fui muito longe...

Estive em quase todos os lugares,

Em quase todos os momentos.

Fui a lágrima de um palhaço...

Do fim, fui eu o adeus!

Do lutador, fui o cansaço.

Do espelho, fui a imagem.

Do amor, fui a paixão.

Do amigo, o inimigo...

Do corpo, o coração!

Da vida, eu fui a morte.

Dos maus, eu fui o bem.

Do passado eu fui presente.

Do azar, eu fui a sorte.

E da ausência, eu fui ninguém...



Da noite, eu fui o medo.

Dos olhos, fui a retina.

Do ódio, eu fui o perdão...

Das drogas, fui cocaína!

Por onde passei,

Eu vi moças

Alegres e soltas,

Que de tão fúteis,

Sequer descobriram

A dor de não ter como ser!

Eu sempre segui meu caminho

Pisando em espinhos...

Vago à sombra da luz

Sem ter ninguém

Para me acompanhar,

Nem retirar as duras pedras

Da estrada...

Sei que vou morrer,

Por isso eu quero lhe dizer,

Que tentando ser tudo na vida...

(Hoje eu sei!)

Eu não fui nada pra você.



Pra Quem Acredita...





Se alguém notar

Que alguém me segue...

Me avise agora!

– Logo... –

Não antes,

Nem depois!

Não me importo em saber

Onde está o lado de lá...

Quem está vivo,

Quem morreu,

Quem nascerá!

Porque,

Se agora estou aqui

Neste mundo,

Minha hora chegará!

E as almas que ignoramos,

Ou as que se escondem,

Irão voltar

Pra falar de coisas tão fáceis

E tão difíceis de aceitar,

Já que a sombra que me persegue,

É a extensão da minha alma.



Só que você não percebe.



Utopia





O que é pra ser,

Será sempre.

Não importa o tempo

Que durar.

Um minuto pode ser

Guardado eternamente...

Uma vida em branco,

Pode em prantos se acabar.

Sendo um trabalhador,

A mente pode voar.

Sendo um sonhador,

O mundo pode mudar.

Sendo criatura,

Confunde-se

E torna-se

Criador de sentimentos

Que mexem com toda a gente...

Sendo planta,

Desabrocha como flor!

Eis sua missão:

Sendo pássaro,

Espalhe as sementes.

Sendo criança,

Semeie o amor.



O Delírio De Um Poeta


II





Agora a solidão anda comigo!

A dor é bem mais forte

E eu não ligo!

A paz, que eu perdi,

Me bate à porta

Implorando para entrar...

Eu finjo não escutar.

Agora,

O seu adeus não me interessa!

As lágrimas,

São motivos para festas...

Percebo

Que toda aquela velha angústia,

Me faz dormir,

Mesmo sem sentir...

Agora,

Que eu fiquei aqui sozinho,

Eu percebi

Que não preciso de carinho!

Agora,

Não estranho,

Nem estrago

Os meus ideais...

Quais?!





Agora,

Eu já não choro

Quando vem o entardecer

E eu me descubro

Sem você!

E assim o tempo

Vai passando

E nem tudo

O que eu tento lembrar

Eu consigo!



Perdi o juízo

E quero me enganar...



O que será possível,

Se este

Último delírio

Vier me matar?!



Eu Não Tenho





Eu não tenho filhos

Eu não tenho fome

Eu não tenho nome

Não tenho ninguém!

Eu não tenho sorte

Também não sou forte

Eu não tenho fibra

Eu não sou de Libra...

E minha alma grita

Pelo dom que não tem!

Não tenho um passado

Nem um ás guardado

Nem um par formado

Eu não tenho sonhos...

Também

Não tenho sono

Só o desespero

Quando a noite vem!

Eu não tenho beleza

Também

Não tenho certeza...

E não tenho nada

Para lhe falar!

Eu não sei fingir

Também

Não vou mentir...

Porque tudo o que sinto

É tudo o que há.



Eu Quero Tudo



Eu não vou dizer

Que só quero o seu amor.

Eu quero tudo...

Eu quero o máximo

Que você puder me oferecer!

Eu quero que seja

Só seu o meu mundo...

Eu posso esperar

Mas quando começar

Meu amor

Vou querer tudo!

Eu quero o seu olhar

O seu jeito de falar

Eu quero a sua boca...

A sua voz bem rouca

Num papo informal

Sob o calor do lençol!

Amo você loucamente

Deixarei gravadas

No corpo e na mente

As coisas que nós sentimos!

Eu quero que seja

Só meu o seu mundo...

Eu posso esperar

Mas quando começar

Meu amor

Vou querer tudo!



Lua Triste



Linda, há pouco tempo

Nos conhecemos.

Um sonho de amor

Nós vivemos

E você quer me dizer adeus.

Linda, louco estou.

Depois que você se afastou,

A minha lua ficou triste.

Se você está distante,

A pobre lua é minguante...

Se você está ausente,

A saudade no meu quarto

É crescente...

Infeliz do homem apaixonado...

– Um lunático! –

Que, na lua nova,

Novamente está só.

E a lua cheia que o inspira,

E à vazante da maré,

Não inspira à sua amada,

Já que a lua é culpada

Da tristeza e do martírio...

A vingança é que seu brilho

É bem menor que o fascínio

Que há nos olhos da mulher!



Amor Verdadeiro



O amor verdadeiro

Não permanece estável

Estático

Intocável

Imutável

Invulnerável...

Ele bate

Ele sofre

Ele grita

Ele ri

Ele chora

Emociona

Afasta

Afaga...

Ele é a saga

De dois seres

No nó

De uma alma só!

Nós dois

– Eu e você. –



Quanto Vale



Quanto vale a tua felicidade?

O que é preciso pra te ver feliz?

Quanto custa a chuva

Que molha o teu rosto?

O pranto

– Fruto do teu desgosto –

A certeza de estar “por um triz”.

Quanto vale a tua felicidade?

O que é preciso pra te ver feliz?

O chão onde pisas, valerá quanto?

A natureza, a beleza,

O céu, o mar,

O vento aos quatro cantos...

O sorriso de quem se quer bem,

Ou as palavras sinceras

Que um amigo te diz?

Quanto vale a tua felicidade?

O que é preciso pra te ver feliz?

O sol da manhã,

Que faz reluzir o orvalho na relva...

A força do teu braço,

Ou os teus pés descalços,

Brincando na areia

De uma praia deserta...

A tua porta entreaberta,

Esperando a volta

De alguém que se quis...





Quanto vale a tua felicidade?

O que é que te falta

Para ser feliz?

Quanto vale a fé que possuis?

O sangue em tuas veias,

A tua ilusão, a voz,

O ar nos pulmões,

As tuas emoções e o teu coração?...

Quanto custa a tua solidão?

Quanto vale a tua felicidade?

O que ainda esperas

Para ser feliz?

A arte, a Poesia, a pintura...

A música, toda a cultura!

O talento e o sucesso,

O bom e o perverso,

Cada estrofe, cada verso,

E a sensação de ser um professor

(E, ao mesmo tempo, aprendiz...)

A dor, a tristeza e a saudade.

Quanto vale a tua felicidade?

O que ainda é preciso

Pra te ver feliz?



Casa Vazia



Casa vazia, vida vazia,

Sem alma, sem calma...

Poeira no corredor

Sufoca o peito apertado.

Coração bate sem compasso

Quando falta amor!

Portas que não se abrem,

Me lembram do que você dizia...

E a casa continua vazia...

Paredes nuas e frias,

Sem quadros, sem alegrias.

Não ouço ecos de passos,

Pois não há ninguém!

O teto feito de esperanças.

O piso feito de lembranças.

Passado e presente

Se misturam quando chove...





Casa vazia, vida vazia.

Nas janelas escancaradas,

Há um grito de saudade!

Vento gelado de solidão

Que invade o porão

Dos sonhos não realizados.

Casa vazia, vida vazia.

No jardim,

As flores sem perfume,

Têm espinhos de segredos

E pétalas de ciúme!

Esperam alguém

Que as colha e perdoe

Enquanto estão magoadas.

Emoções abandonadas...

São tijolos amontoados,

Que não construíram nada!



Pedaços de Nada



Pedaços de nada

Jogados na estrada.

Sobras de sombras

Deixadas às frestas de luz.

Montes e destroços

De emoções e remorsos...

Lágrimas e gritos

Que ninguém jamais viu

Nem ouviu!

Pedaços de nada

Jogados na estrada.

Taças de um passado

Bebido, embriagado!

Garrafas de um nó,

Que só a solidão

Sabe dar...

Sentado num bar

Sem ninguém pra falar,

Dos pedaços de mim

Que ainda estão

Com você.





Pedaços de nada

Jogados na estrada.

É assim que me sinto

Esperando você...

Pedaços de nada

Jogados na estrada.

Que as pessoas reparam,

Para, em seguida,

Esquecerem!

Sinto falta de tudo

O que hoje,

É só dor...

Sou um pedaço de nada,

Humilhado,

Implorando

Um punhado de amor,

Para me lembrar

De quem sou!



O Delírio de Um Poeta


III



Na vida pela qual passei,

Tive que suportar

Humilhações, frustrações

E agressões

Ao meu pobre coração!

Na vida pela qual passei,

O sofrimento esteve presente

Em cada amanhecer.

E as lágrimas

Passavam comigo as noites,

Me falando da dor

Que eu experimentava,

Esperando alguém

Que nunca voltava!

E hoje estou aqui.

Estou louco,

Esquecido...

Estou são,

Estou perdido.

Cheio de infelicidades...

Amargo por experiências.





Estou quase liquidado!

Tenho no peito, trancada,

A velha e antiquada ilusão!

Não quero que me tirem daqui,

Pois a esperança que perdi,

Anda de mãos dadas

Com a morte!

Eu quero morrer sozinho.

Tropecei

Em seu caminho

E escorri, como areia,

Em suas mãos!

Eu vou morrer delirando,

Sofrendo horrores...

Lembrando amores

Sufocados em meu coração.



O Que Mata Mais



O que mata mais?

O Fundamentalismo ou

O Capitalismo?

A Ciência ou a Religião?

A Guerra Fria ou

A Guerra Santa?

A mente ou o coração?



O que mata mais?



A verdade ou a Democracia?

A fome ou a revolução?

A violência ou a violação?

O trânsito ou a transação?

A tirania ou a submissão?



O que mata mais?



As “Torres” caindo ou

A Argentina falindo?

A Bomba de Hiroshima ou

A Guerra das Malvinas?

As minas no chão ou a poluição?

O Holocausto ou a Inquisição?





O que mata mais?



É a falta de “Tom”...

A ausência de “Elis”...

Viver sem “Drummond”...

E pensar ser feliz?

Depender do patrão ou

Da meretriz?!



É o presente,

É o passado,

É o futuro...

É o tempo perdido!



É tudo o que pode

Ser consertado.

E que nunca será

Esquecido...



Gente



Cisma e sai

Quase diariamente.

Espera sorrir,

Mesmo que o outro lhe fale,

Mesmo que o mundo se cale!

A vida vai,

Mesmo sem ter sentido.

Tudo o que foi,

Mesmo o que está tão distante,

Era tão lindo.

A dor que você sente,

Pois fala tudo sem mentir...

A dor que você sente,

Quer lhe dizer

Que o que vale no mundo

É o amor.

Fale o que foi,

Dê um sorriso agora,

Chore depois...

Banque o eterno fraterno:

– Comece tudo do zero! –





Pense

No que faz parte

Desse mundo

E quer que você

Viva um amor tão sincero...

E eu não duvido

Que tantos querem o amor

E que a vida dê certo,

São gente comum

E se sentem tão perto!

Gente que vive

Sem nem mesmo um teto,

E encontra na vida

Razão pra lutar!



Ao País do Futuro



Brasil, fulgurante glória,

Um marco na história

Estabelecida,

Lenda descabida.

Toda a tua memória,

Tão contraditória,

Banhada pelo manto,

– Celeste desencanto. –

Espelho de riquezas...

Dunas de incertezas!

És gigante, és forte,

Indigno de tal sorte.

Com teu povo nativo,

500 anos em perigo!

Miscigenado além do esperado.

E se te causo espanto,

Sou menos um quebranto.

Brasil, a terra desbravada...

Cultura aniquilada!

Teu sutil falar: enigma no ar.

Quem viu quão vil nasceste,

Te compreende bem.

Te assume, “Paradisíaca Ilha

Dos prazeres de além-mar”!

Édipo sem pátria,

Em teu solo sou tão pequeno

Que tal qual semente,

O meu querer abafas.





A tua natureza

É toda a tua nobreza.

O teu alvorecer

Não depende de ti,

Que entre milhões e milhões,

És a mais bela entre as nações!

Brasil, o teu destino é assim:

O teu melhor, só quem conhece

É quem te ama ou te explora...

A tua alegria,

Hoje é folia marginal.

Os teus valores e qualidades

São esquecidos

E te descubro

Multinacional!

És, na verdade,

Multirracial!

Os teus heróis,

Poucos conhecem.

Só aparecem

Como enredos

No carnaval!



Globalização



O Mundo

É governado por loucos.

A Rússia

Mata os soldados aos poucos...

Os Jornais

Se ocupam de fatos.

A Riqueza

É propriedade de alguns...

A Igreja

É Instituição Sagrada.

Dinheiro

Não tem Credo nenhum!

A Verdade

É território profano...

O Medo

É um oceano profundo

Meu filho

Dorme e caminha sonâmbulo.

A Família

Hoje em dia, é refém...

A Tecnologia

Escraviza quem não a detém!

Afinal de contas,

Computador não diz amém.



Agora Eu Mando No Meu Coração



Eu tenho errado pouco ultimamente,

Tenho conseguido olhar pra frente,

Sem lembrar do meu passado!

Eu tenho novos rumos pra traçar,

Eu tenho agora um futuro

Onde você não está!

Eu não tenho mais medo

De me olhar no espelho!

Reconheço os meus erros,

Gosto da minha nova imagem!

Troquei toda a angústia

E desespero,

Por meia dúzia de conselhos

E um pouco de coragem!

Agora você vê que eu sou

Bem mais forte!

Que agora eu não dependo

Mais da sorte!

Não temo nem sequer a solidão...

Você, agora, me vê

Como indestrutível...

Estou tornando isso

Bem possível:

Agora eu mando

No meu coração.



O Delírio de Um Poeta


IV



Veja o final dos tempos!

Olhe pra mim, aqui, esquecido.

Saiba que,

Como o ontem é passado,

Eu já fui querido,

Eu já fui amado...

Tive que descobrir tantas coisas

Para encontrar

A minha razão de viver.

Tive que amargar derrotas,

Que ser traído,

Perder apostas...

Mas hoje eu sei:

Que um ator fracassado,

Fica esquecido.

Que um palhaço chorando,

Provoca sorrisos!

Que tudo o que é bom

Um dia tem fim.

Que a imagem do caos

Se reflete em mim.

Sei que quem teme a noite,

Também teme a vida,

Que se alguém fecha as portas,

Não acha as saídas...

Sei que a paixão tem seu tempo,

Mas não tem idade.

Sei, com pesar e tristeza,

Que alegria e beleza

Não são liberdade!

Sei que as moças que vi,

Não me deram a mão.

Que os amigos que tive,

Se chamavam Ilusão!

Hoje não peço que volte,

Alguém que se foi.

E a quem eu não quero,

Que me deixe, se vá...

Hoje, tudo o que eu preciso

É de um inimigo para me escutar!

Bem, esse é o meu fim...

E à morte, agradeço

Pela paz que me deu!

Pobre de mim:

– Um Poeta morrendo...

Tentando ser Deus! –



Prefiro



Prefiro ser mel

Mesmo sendo sal

Prefiro ser bom

Mesmo sendo mau

Prefiro ser eu

Sendo natural

Prefiro viver

Viver e ser leal

Prefiro um ser

Um dom sensorial

Prefiro calar

Que ser imoral

Prefiro conter

Que ser informal

Pretendo ser bom

Ou mau ou como for

Prefiro ser eu

Mesmo não tendo valor

Prefiro ser real

Do que ser artificial.



Morrer



Morrer

É como ir a Niterói

E levar junto

Só o vazio

Morrer

É como se despedir do Rio...

Morrer

É já não ter nenhum amigo

Ninguém

Que nos empreste um livro...

Morrer

É já não ter nenhum amor

Perder um filho

Não colher nenhuma flor...

Morrer é injusto

Último pôr-do-sol...

Fim do percurso

Barco que não volta ao cais...

Morrer

É não viver em paz!



Oi Meu Amor





Oi, meu amor!

Eu tenho tanto

Pra falar pra você.

E certas coisas,

Eu não posso esconder.

E eu espero que você

Sinta o mesmo.

Minha emoção,

Meus sentimentos todos

Quero lhe dar.

O meu amor

E essa energia que há...

Essa é a força

Da nossa união!

Quero dizer sinceramente,

Que eu amo você!

E peço a Deus

Pra Ele proteger

A sua vida

Que pra mim é importante.

Você pra mim

É muito mais

Do que amor e paixão.

É muito mais

Do que amizade e atenção.





Você pra mim

É um presente de Deus.

Saiba que eu,

Na minha vida,

Nunca amei tanto assim!

Me dê um beijo,

Fique junto de mim,

Pois com você

Eu quero sempre viver!

E quando um dia,

Nossa velhice

A gente partilhar...

Aos nossos filhos,

Aos nossos netos,

Sei lá!

Nós mostraremos

O sentido do amor.

E nossa história

Não terá fim,

Porque foi Deus

Quem a escreveu.

Fico feliz

Porque você me escolheu.

Quero tanto você

Que já sou todo seu!



Homem Com Olhar Sincero



Homem com olhar sincero...

Homem de luta e de guerra,

Só quer a paz nesta Terra.

Homem urbano e rural,

Só quer o bem social.

Evitar o êxodo rural,

E a exploração imoral

Do homem que vive escravo,

Distante da terra natal!

Homem que quer liberdade,

Trabalha com honestidade.

Enfrenta, com muita coragem,

A dura realidade.

O amor é a sua verdade!

Respeita, desde um simples mendigo...

Até a mais importante autoridade!

Um Pai, um Irmão, um Avô...

Um ser social – Lutador! –

Um sim ou um não

(Com razão.)

Um Mestre da Emoção,

Um imenso coração,

E um divino mistério nas mãos:

Que é esse maravilhoso dom!

E fala com tanta certeza,

E fala com toda clareza,

E fala com tanta beleza,





Que a morte,

(A maior das tristezas!)

Nos chega com tanta riqueza

E consegue nos confortar.

Não fala pouco nem muito,

Mas fala de qualquer assunto!

Fala de dor e alegria,

Mas fala sem hipocrisia.

Herói, sem medalha ou retina...

Eu vi naquele dia,

Nos olhos daquela menina:

Seu destino é jamais ser esquecido!

E digo sem medo de errar,

E chego a me impressionar,

Quando lembro de autores como você,

Com talento sem igual:

Camões, João Cabral, Drummond,

Tom Jobim, Stanislaw,

Bilac, Castro Alves,

Machado de Assis e

Jaime Caetano Braun!

Poeta, Ator e Amigo...

Poeta e Grande Homem...

Os cabelos grisalhos

E as marcas do tempo na testa.

Você não nasceu para ser só homem,

Você nasceu pra ser Poeta!



O Delírio de Um Poeta


V



Procurei sempre

Contornar o incontornável!

Tornar doce, quão agre fosse.

Possibilitar o impossível...

E enxergar, nas pedras do caminho,

Pelo menos um sorriso seu!

Imaginei, com verossímeis fatos,

Coisas, com detalhes,

Que de fato eu jamais sonhei.

Imaginei ter as respostas

Das perguntas que ninguém me fez.

Acreditava que o sofrimento

Seria a sala de espera

Para a minha vez...

Contei as lágrimas que rolaram,

Decorei quantas estrelas se apagaram!

Contei nos dedos

E cantei com medo,

Belas canções

Que falavam de amor

E não lembravam a dor.

A minha vida foi sempre assim:

Só soube amar

A quem só quis me magoar...





Não enxerguei

Os poucos amores que encontrei!

Não escutei

O que as mentiras me falavam...

Não aprendi

Com as verdades solitárias,

Que nasciam em minha mente

E morriam no meu coração!

Eu já fiz de tudo

Quanto possam imaginar...

Eu aplaudi de pé

As minhas duras quedas.

Eu tive luz

Para encontrar as minhas trevas.

Eu tive medo

De confiar em minhas pernas...

Então, por isso, eu fiquei aqui!

Agora, tudo aquilo é passado,

E eu entendo

Sempre que me dizem não...

Toda a beleza

Me deixa pouco impressionado.

Eu olho em volta

E contemplo a solidão!



Amigo



Sente-se e converse comigo.

Eu estou bem, e você, como vai?

Me diga se alguém o ofendeu,

Se o seu time perdeu

E você nem ligou.

Entre, venha cá, meu amigo!

Que tal um café ou uma água,

O que você bebe comigo?

Invente um assunto pra gente falar.

Dê uma gargalhada pra me encabular...

Não, não se importe com as horas,

A mim me parece, que você chegou agora,

E já, tão depressa, não o deixo sair.

Vamos sorrir, conversar,

Matar a saudade...

É um prazer e uma honra

Recebê-lo aqui.

Bom, foi bom você ter aparecido

Tão feliz e tão contente,

Como tem sido ultimamente...

Pois você não foi embora.

– Sei que a morte é uma transição –

Você está na minha memória...

Você e todas as suas histórias,

Pra sempre no meu coração!...



Mudo



Se não gostam do que eu digo

Eu mudo

Se não entendem o que eu escrevo

Eu mudo

Se meu estilo é confuso

Eu mudo

Se minha rima é muito pobre

Eu mudo

Se me rotulam de Poeta vagabundo

Eu mudo

Mas não desmereça a Poesia!

Deixe que ela cresça

No dia a dia de qualquer um!

Não cometa esse crime

– O crime mais hediondo do mundo –

Pecado de quem se acha o melhor

E quem diria

Por um suposto amor à Poesia

Acaba obrigando o Poeta

A ficar mudo!



Pra Quem Gosta de Você



Pra quem gosta de você,

O certo e o errado

São vice-versa.

Qualquer Soneto,

Qualquer Poesia,

São só conversa!

O sol só se põe de manhã,

E a futilidade

É irmã da vaidade

E da falta do que fazer!

Pra quem gosta de você,

O preço a pagar é sempre alto:

O beijo de amor é gelado,

Qualquer confissão é pecado...

A verdade e a mentira convencem.

A covardia e a coragem

São sempre gestos de uma alma

Em busca de paz,

E por que não,

(Quem sabe?),

de algo mais!





Pra quem gosta de você

E ainda há tantos,

Que sequer

Os conheço...

O céu e o inferno

Têm o mesmo endereço

E viver ou morrer,

É apenas questão de espaço,

Tempo

Ou de sofrimento.

Pra quem gosta de você,

Liberdade não é traição

E insônia é só um processo

De total criação.

A tristeza é algo sensato

E o amor

É um cálculo exato.

É horrível,

Mas preciso dizer:

Pra quem gosta de você,

Qualquer porcaria

É um bom prato!



Mãe



Mãe,

Não pude lhe escrever,

Mesmo com tanta coisa pra dizer.

Mãe,

Se você soubesse o que eu vivi,

Você, no mínimo,

Iria “morrer de rir”...

Olhe mamãe,

Eu estou aqui,

Precisando muito de alguém

Que possa me ajudar.

Que tenha amor

Pra dividir comigo.

Que possa me emprestar

Um ombro amigo.

Eu sei mamãe,

Que se eu lhe obedecesse...

Se o que você tivesse dito,

Eu compreendesse..

Eu até, talvez,

Não me arrependesse!

Olhe mamãe,

Que tudo o que eu quis,

Foi encontrar alguém

Pra me fazer feliz!





Que compreendesse bem

Meu louco coração.

Mas não encontrei ninguém

– Só a ilusão! –



Mãe,

Aqui vou terminando...

A minha lucidez

Já está acabando.

Aconteceu tudo

Como você previu...

Por isso eu imagino,

Que neste exato momento,

Enquanto choro,

Você esteja “sorrindo”...

E eu sinto

Que esta dor que eu sinto...

Eu sinto que esta dor

Que estou sentindo agora...

Pode acabar por acabar comigo!

Ó Mãe!



E Você Pode Até


Encontrar Outro Alguém



Amor, é sério,

Eu lhe disse...

E se você me ouvisse,

Eu não estaria

Lhe dizendo adeus!

Foi bem feito,

Não houve jeito...

Sinceramente,

Até que durou muito.

Mas não chore,

Lágrimas em você

Não ficam bem.

E você pode até

Encontrar outro alguém

Que a ame como eu

A amei, também!

Estou pronto...

Você, triste.





Quer que eu fique

Ao seu lado,

Mas seu coração,

Nada faz!

De repente,

Vem correndo,

Me abraça

E toda a ilusão

Se desfaz,

Ao ouvir minha voz

Sussurrando:

“Agora é tarde demais!”

Você nunca acreditou em mim,

Mas agora percebeu...

Eu não a amo mais!

O amor que existia,

Morreu.



O Delírio de Um Poeta


VI



Hoje eu fui pensando

Em minha vida.

Hoje eu fui buscando

As saídas, que só agora,

Com um pouco mais

De experiência,

Consegui achar.

Pra ser fiel à verdade,

Antes que o meu tempo acabe,

Eu terei de reconhecer:

Não fiz nada de útil,

Vegetei,

Ao invés de viver...

Eu nunca entendi bem,

Por que não me diziam

“Eu te amo”...

mas invento amores,

sofro todo o ano!





Estou delirando

E sei que vou morrer.

Nunca tive outro sentimento,

Que não o desespero.

Nunca, nenhum outro perfume,

Que não o seu cheiro.

Sempre estive acompanhado

Da minha solidão.

Nunca tive liberdade

Para criar minha

Própria prisão.

E morrerei assim:

Sem alguém

Que queira simular,

Sequer uma lágrima

Por mim.



Antes



Antes mesmo de acordar,

Ela já sente.

E acorda e olha a sua volta,

Mas não vê ninguém.

Também – tola ilusão! –

Ele agora está distante,

Em outros braços.

E o embaraço dessa situação,

A faz chorar.

Antes mesmo do primeiro soluço,

O seu primeiro impulso

É não amar nunca mais.

É, no momento, o mais certo,

Embora, com ele perto,

A sua vida

Passe a ter mais sentido.

E se pega sofrendo,

E se encontra mentindo...

Antes mesmo do primeiro suspiro,

E de derrubar os seus livros,

Os presentes e os discos

Que ele havia lhe dado,

Ela – num completo delírio –

Relembra...





Em êxtase contempla

O primeiro beijo

Que ele lhe roubou.

E se encontra sorrindo,

E se entrega sem medo!

E até lhe sente

As pontas dos dedos,

Percorrendo-lhe o esguio corpo

De mulher madura e apaixonada.

E, antes mesmo, que o planeta

Lhe volte aos pés

– Aqueles mesmos! –

Que ele tanto admira

E que o excitam,

Pelo contorno e pela forma...

Ela pensa em esquecê-lo.

Mas já não poderá fazê-lo.

Pois ela já o amava

E esperava por ele...

Antes mesmo, muito antes,

Que viesse a conhecê-lo.



As Fotos



Objetos... abstratos...

Colecione-os

E se torne um “Deus”.

Escolha quem, quando, como,

Onde e para quê?

E só então irá entender.

Detenha toda a beleza,

E quanto mais o tempo passa,

Mais belas – que ironia! –

(Já revelei quem são...),

Elas vão ficando.

Já que elas só desbotam

E não envelhecem.

E se são alegres,

Saudosas se tornam.

E se são tristes,

Impossíveis de esquecê-las.

Obscuras... obscenas...

(Nunca obsoletas...)

Orgulho de escondê-las,

Arrependimento por mostrá-las.

Não falam,

Mas jamais se calam!





Revelam quem somos,

Onde estamos,

E o que fazemos.

E até quando não queremos,

Fazem parte

Da nossa existência.

E nossas experiências

Estão retratadas nelas.



Os fatos...



As fotos!



Contam mil histórias,

Quase sempre verdadeiras.

E quando alguém querido:

Um parente, (um Poeta),

Um amor ou um amigo

Nos deixa...

Uma simples foto,

– Mesmo uma 3x4 –

... Expressa mais vida

que uma vida inteira.



Quem Sou Eu



Sou o nascer do sol

Sou o bem e sou o mal

O açúcar e o sal

Sou o amargo e o azedo

A coragem e o medo

A emoção e a razão

A luz e a escuridão

O não e o sim

O início e o fim...

Sou a porta e o batente

Eu sou bicho e sou gente

O passado e o presente

Sou a flor e a semente

Sou especial

E sou qualquer um...

Sou extraordinário!

Sou caso comum





Sou a prosa e o poema

O verso e a rima

O teatro e o cinema

O solo e o clima

A montanha e a estrada

A planta e a raiz

Sou tudo e sou nada...

Sou este país!

Eu sou concordância

E sou controvérsia

Eu sou a memória

E sou amnésia...

Quem sou eu?

Eu sou substantivo

E o adjetivo...

Eu sou muito

Primitivo!

E você pode

Não entender.



Falhas





A força humilha o fraco

A falha embarga a fala

A farda enverga o “cabra”

O gole afaga a mágoa

O afeto acalma o ego

O filho encanta a alma!

A fuga fere a fé

A fama cheira à trama

A fome infesta a praça

A flor enfeita o tempo

A folha freia o vento

O fogo afronta o frio

A fumaça faz desgraça!

O vício apressa a morte

A faca faz o corte

O fútil vem à tona

A chuva lava a “Lona”!

A lama lota o lar

A fúria faz chorar

O lixo prevalece

O luxo enlouquece

O planeta envelhece...

E a humanidade esquece

Que só o amor permanece!



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