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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Poema: "Encurralado", de Erivelto Reis

Encurralado
Erivelto Reis

Quando descerrarem a venda, o véu
No momento que antecede a descida do capuz
Que ofuscará para sempre minha capacidade
De reagir à luz, transformando em imagem,
Ímpeto e desilusão os semblantes
Que reconhecer diante de mim,
Terei a certeza de levar pro além
De aqui
Os nomes de meus detratores,
Dos malfeitores,
Sem lhes ter pronunciado ofensas.
Presentearei a todos com minha
Gratidão, minha distância,
Minha subserviência.
Meu sacrifício
Tentará impedir
O dos de minha família,
De minha descendência.
Não é falta de amor
Morrer amando,
Morrer lutando...
É, talvez, utopia.
Morrer silenciando
É oferecer para além
Do sumo armistício
O exemplo
De quem tentou prestar serviço.
De quem exerceu seu ofício
Até o último dia,
O dia que excedeu.
Não dá para supor que,
Como Última palavra, se me escape,
Um escrupuloso adeus.
Mas posso me supor sereno...
Diria Sócrates, diria um trabalhador comum,
Diria, talvez, Galileu,
Ao ver se aproximando
A taça derradeira,
Contendo seu veneno,
Sua sentença...
O último insulto:
Cinco minutos depois
Terá chegado o indulto?



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