CINEMA COM PIPOCA E GUARACAMP
O BONEQUINHO DEGUSTOU
6/10 – CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ: uma anedota noir...
O Bonecão, alter ego do
culinarista e agricultor, farol e oráculo cinematográfico dessa quarentena,
Roberto Bozzetti, me convidou a listar as minhas dez comédias. Este já é o
sexto título elencado.
Com a semelhante premissa imperativa no título, a exemplo de Apertem os cintos...
o piloto sumiu!, CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ (1988), foi uma das comédias mais
interessantes que já assisti. Traz maior destaque para o engraçadíssimo Leslie
Nielsen e repete a fórmula da sátira de Apertem os cintos..., só que desta vez,
relacionando a gozação, a subversão visual e narrativa aos filmes policiais
especialmente, àqueles do cinema noir,
(expressão criada em 1946 por Nino Frank) francês e norte-americano – uma
estética ou um ciclo que se coaduna ao gênero policial, agregado de uma narrativa
de acontecimentos de destacada tensão, e com forte suspense centrado ou
provocado pelas atitudes de uma misteriosa femme
fatalle (Laura, Gilda, Rebecca, Jéssica
Rabbit), bem característicos das décadas de 40 e 50.
Entre os franceses destacam-se: “Expresso para Bordeaux” (1972), “Vício
Maldito” (1958) e “Como fera encurralada” (1960). E entre os norte-americanos
dos quais Billye Wilder e Alfred Hitchcock foram grandes mestres: “Marca da
maldade” (1958) “Farrapo Humano” (1945), “Pacto de Sangue” (1944) e “Crepúsculo
dos deuses” (1950). Aliás, o Bonecão poderia maratonar e listar os melhores
filmes noir do cinema. Que tal?
Como traços predominantes no cinema noir,
explorados na comédia dos irmãos Zucker,
especialmente se destacam a narrativa em off (uma voz que dialoga e elucida parcialmente a linha de
pensamento que o policial/detetive/investigador vai seguindo ao longo da
trama), no clichê de apaixonar-se ou envolver-se sexualmente com aquela que
será a principal suspeita, diálogos na viatura, encontros fortuitos e o embate
com o – em geral, surpreendente criminoso/a.
A equipe de produção daquela que se tornou uma franquia com três filmes
CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ; CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 21/2 (1991) e
CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ 331/3 (1994) já vinha trabalhando junta
desde a série Police Squad (Esquadrão
de polícia, 1982), é a mesma de Apertem os Cintos...: David e Jerry Zucker e
Jim Abrahams.
Não basta dizer que Frank Drebin é atrapalhado: ele é atrapalhado,
politicamente incorreto e tem muito pouco da perspicácia dos antigos detetives
dos filmes policiais. Seu êxito é mais frequentemente decorrente dos
desencontros dos seus opositores e inimigos, do que de suas habilidades como
policial.
Além da sátira, CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ, vai agregando a cada filme a
capacidade de parodiar com perfeição cenas do cinema a sério, clássico ou
blockbuster, como na clássica abertura de 331/3 em que a cena do
confronto na estação ferroviária em “Os intocáveis” é recriada com ajuda de
sósias de líderes mundiais e muito deboche.
Ou ainda, a romântica cena de Ghost... E dica, não tire o olho da tela porque as
piadas visuais se sucedem Imperdível. Corra pra assistir.
A arte culinária, evidente, é do Bonecão, Guia Michelin da boa mesa,
Roberto Bozzetti. O prato do dia é Rã.
17 de fevereiro de 2019.
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1994 |
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Roberto Bozzetti, criador do Bonecão, prepara Rãs. 17/02/2019 |
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